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	<title>Tungíase |</title>
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	<title>Tungíase |</title>
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		<title>Tungíase: como &#8216;bicho de pé&#8217; faz yanomamis sofrerem amputações e afeta até animais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Feb 2023 03:11:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Ciências]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta: esta reportagem contém imagens que podem ser consideradas perturbadoras por algumas pessoas Além de casos graves de desnutrição, malária e quadros de verminoses, os indígenas yanomami, que passam hoje por uma crise humanitária de grandes proporções, sofrem com a disseminação da tungíase, infecção popularmente conhecida como &#8220;bicho de pé&#8221;, que se torna um problema [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<ul class="wp-block-list">
<li>Giulia Granchi</li>



<li>Da BBC News Brasil em São Paulo</li>



<li>Quarta, 1 de fevereiro de 2023</li>
</ul>



<p><em><strong>Alerta: esta reportagem contém imagens que podem ser consideradas perturbadoras por algumas pessoas</strong></em></p>



<p><strong>Além de casos graves de desnutrição, malária e quadros de verminoses, os indígenas yanomami, que passam hoje por uma crise humanitária de grandes proporções, sofrem com a disseminação da tungíase, infecção popularmente conhecida como &#8220;bicho de pé&#8221;, que se torna um problema grave de saúde quando não há tratamento adequado.</strong></p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" data-id="70022" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/Sem-nome-720-×-90-px-1.jpg" alt="" class="wp-image-70022"/></figure>
</figure>



<p>As infecções são mais comuns em zonas pobres ou remotas, como as aldeias indígenas, comunidades rurais e favelas das metrópoles.</p>



<p>Entre as razões para maior disseminação nesses locais, de acordo com médicos entrevistados pela BBC News Brasil, está, principalmente, a maior exposição ao meio ambiente sem a proteção de roupas ou sapatos.</p>



<p>&#8220;Na terra indígena yanomami, especificamente, há também um desequilíbrio ambiental causado pelo garimpo, que torna as infestações mais propícias, e o fato de sistema imunológico dos indígenas estar prejudicado pela desnutrição e outros quadros&#8221;, afirma Carla Rodrigues, médica do grupo de saúde indígena da SBFC (Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade) que atuou em comunidades yanomami entre maio de 2021 e fevereiro de 2022.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="800" height="450" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/02/image.png" alt="" class="wp-image-75288" srcset="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/02/image.png 800w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/02/image-300x169.png 300w, https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/02/image-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption class="wp-element-caption">ASSOCIAÇÃO MÉDICOS DA FLORESTA<br>Legenda da foto,Pé de criança yanomami com feridas causadas pela tungíase</figcaption></figure>



<p>Dados divulgados pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) estimam que, apenas na Região das Américas, mais de 20 milhões de pessoas estejam em risco de serem infectadas &#8211; particularmente, crianças, pessoas com deficiência e idosos.</p>



<p>&#8220;Nos indígenas yanomami, a tungíase tem causado múltiplas lesões dolorosas, além de &#8216;abrir portas&#8217; para outras infecções e, em casos mais graves, faz até com que alguns percam pedaços dos membros&#8221;, explica Bruna Abilio, médica pediatra voluntária da Associação Médicos da Floresta e parte do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.</p>



<p>&#8220;Isso causa, muitas vezes, problemas para caminhar e dificulta que os indígenas mantenham seu potencial produtivo de caça e cuidados da roça.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="O-que-é-a-tungíase-e-como-é-transmitida">O que é a tungíase e como é transmitida?</h2>



<p>A doença é causada por fêmeas do parasita <em>Tunga penetrans</em>, que gosta de ambientes secos e solos arenosos, e se alimenta do sangue de humanos e de animais.</p>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" data-id="70023" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/Sem-nome-720-×-90-px.jpg" alt="" class="wp-image-70023"/></figure>
</figure>



<p>Ele entra na pele por qualquer parte do corpo que está em contato com o chão &#8211; principalmente pés, mãos e nádegas &#8211; causando, como primeiros sinais, irritação e coceira.</p>



<p>Uma vez dentro do corpo, o parasita, se não for retirado a tempo, coloca seus ovos na pele, e a infecção se alastra.</p>



<p>&#8220;Quando a fêmea está grávida, ela usa sua cabeça pontiaguda para penetrar na pele do hospedeiro e ali maturar seus ovos até que eles estejam prontos para eclodir. A partir daí, são expelidos no ambiente&#8221;, aponta Carla Sássi, médica veterinária do Grad (Grupo de Resgate de Animais em Desastre).</p>



<p>Sássi explica que, durante sete a 10 dias, o parasita pode deixar até 200 ovos no ambiente, e após três semanas, essas larvas já estão maduras o suficiente para acasalar, iniciando o ciclo de infestação novamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Como-a-tungíase-se-manifesta">Como a tungíase se manifesta</h2>



<p>As lesões causadas pela tungíase podem ser únicas ou bastante numerosas, dependendo da infestação do solo.</p>



<p>A princípio, a infecção se manifesta como uma pequena pequena marca marrom escura com um círculo fino e claro ao seu redor.</p>



<p>Se as lesões são múltiplas e a inflamação local se torna intensa, o acometido pode ter infecção bacteriana secundária e ter sua mobilidade reduzida.</p>



<p>&#8220;O risco de infecções bacterianas secundárias é especialmente alta se a pessoa tenta tirar a lesão sem conhecimento técnico de como removê-la completamente, e sem material estéril &#8211; há, inclusive, risco de tétano&#8221;, Igor Queiroz, infectologista do Rio Grande do Norte consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.</p>



<h2 class="wp-block-heading" id="Animais-também-são-afetados">Animais também são afetados</h2>



<p>Assim como os seres humanos, os animais também podem ser parasitados e sofrem com sintomas similares.</p>



<p>&#8220;Neles, o bicho de pé também causa muita coceira e ardência, e assim como em humanos, pode virar uma infecção realmente grave, com risco de perda do coxim, aquela parte macia na pata. Em pessoas, observamos [nas comunidades] casos gravíssimos que provocam a perda de membro&#8221;, aponta Carla Sássi, médica veterinária do Grad.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/18688/production/_128467999_whatsappimage2023-01-30at20.29.38-1.jpg" alt="Agente do Grad Brasil mostra pata de cachorro infectada pela tungíase"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Agente do Grad Brasil mostra pata de cachorro infectada pela tungíase</figcaption></figure>
</div>


<p>&#8220;A ocorrência da tungíase no território yanomami é um bom exemplo do que chamamos de tríade na saúde única, que é a relação da saúde humana, animal e ambiental. Não adianta tratar cada um desses separadamente &#8211; apenas tratando os três ao mesmo tempo por um período de médio a longo prazo é que é possível conseguir resultados no controle dessa zoonose&#8221;, complementa Sássi.</p>



<p>Em um dos posts recentes no Instagram do Grad, a veterinária faz um apelo por transporte para Boa Vista, capital de Roraima, para um jovem desnutrido de 20 anos que sofre com tungíase há uma década e está com os pés em estado grave, sem possibilidade de se movimentar bem.</p>



<p>No vídeo, a veterinária conta que o rapaz sofre de depressão e que seus pais imploram por ajuda.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/7C0C/production/_128465713_soniamey-schmidt.opas.oms.jpg" alt="Cachorro com tungíase sendo examinado em aldeia indígena"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Cachorro com tungíase sendo examinado em aldeia indígena</figcaption></figure>
</div>


<h2 class="wp-block-heading" id="Casos-graves-requerem-tratamentos-mais-complexos-">Casos graves requerem tratamentos mais complexos</h2>



<p>Casos como o citado acima não são considerados comuns porque são necessários muitos anos de falta de assistência médica adequada para que cheguem a um estado tão grave.</p>



<p>Nas comunidades yanomami, no entanto, profissionais com quem a reportagem conversou afirmam que são muitos os quadros preocupantes.</p>



<p>&#8220;Amputações por tungíase são consideradas muito raras, e o fato de isso estar acontecendo é um sinal do quão longe o problema foi. Quadros tão graves certamente contam com infecções secundárias&#8221;, aponta Paulo Machado, coordenador do Departamento de doenças infecto parasitárias da SBD.</p>



<p>Machado aponta que, constatada a presença de outras infecções, o uso de antibiótico, medicamento que não esteve amplamente disponível nas comunidades yanomami nos últimos anos, é necessário.</p>



<p>&#8220;Às vezes é usada também a ivermectina [droga usada no tratamento de vários tipos de infestações por parasitas], mas nem sempre é suficiente&#8221;, complementa Igor Queiroz.</p>



<p>Por serem infestados continuamente, podendo chegar a ter centenas de tungas no corpo, os moradores dessas áreas muitas não se beneficiam do método tradicional de retirada do parasita por uma pequena incisão cirúrgica.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter"><img decoding="async" src="https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/13868/production/_128467997_whatsappimage2023-01-30at20.27.34.jpg" alt="Pé de yanomami com feridas causadas pela tungíase e prováveis infecções secundárias"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda da foto,Pé de yanomami com feridas causadas pela tungíase e prováveis infecções secundárias</figcaption></figure>
</div>


<p>&#8220;No contexto urbano, o médico remove e pronto, o problema acaba. Como o território yanomami é muito grande e nas áreas de garimpo não têm postos de saúde fixos, os indígenas ficavam desassistidos&#8221;, afirma Carla Rodrigues, médica do grupo de saúde indígena da SBFC.</p>



<p>&#8220;Ali, as crianças, por estarem tão debilitadas e desnutridas, têm lesões que crescem tanto que formam grandes tumores. Há, inclusive, casos de lesões enormes na região perianal, que impedem essas pessoas de sentar. É necessária uma cirurgia mais complexa, mas isso muitas vezes não é feito. É o bicho de pé que causa a morte.&#8221;</p>



<p>A médica conta que, durante seu período atendendo as comunidades, buscou mitigar o problema com uma solução chamada Nyda, à base de dimeticona.</p>



<p>&#8220;A aplicação deve ser feita três vezes a cada 10 a 15 minutos. A pulga fica sem oxigênio e morre. O produto funciona, mas não está amplamente disponível.&#8221;</p>



<p>O medicamento não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e entra no país por meio de doações de instituições como a Opas.</p>



<p><em>&#8211; Este texto foi publicado em </em><a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64455894">https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64455894</a></p>



<p>Fonte: BBC Brasil</p>



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