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	<title>Violencia contra crianca |</title>
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	<title>Violencia contra crianca |</title>
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		<title>Violência contra crianças e adolescentes é responsabilidade de toda a sociedade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Wellington]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Aug 2023 04:04:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Especialistas comentam dados do “Anuário Brasileiro de Segurança Pública”, os quais dão conta de que a violência contra crianças e adolescentes tem aumentado no Brasil e no mundo Por&#160;Julia Galvao* &#8211; Segunda, 14 de agosto de 2023 Todos os tipos de violência contra crianças e adolescentes tiveram um aumento em 2022, segundo o&#160;Anuário Brasileiro de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Especialistas comentam dados do “Anuário Brasileiro de Segurança Pública”, os quais dão conta de que a violência contra crianças e adolescentes tem aumentado no Brasil e no mundo</em></p>



<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2023/08/VIOLENCIA-CRIANCAS_JULIA-GALVAO.mp3"></audio><figcaption class="wp-element-caption"><strong><em>Radio USP</em></strong></figcaption></figure>



<p>Por&nbsp;<a href="https://jornal.usp.br/author/julia-galvao/">Julia Galvao*</a> &#8211; Segunda, 14 de agosto de 2023</p>



<p>Todos os tipos de violência contra crianças e adolescentes tiveram um aumento em 2022, segundo o&nbsp;<em><a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2023/07/anuario-2023.pdf">Anuário Brasileiro de Segurança Pública</a></em>. Ao redor do mundo, o número de vítimas pode chegar até 1 bilhão, considerando casos de violência sexual, emocional, física e negligência. Apenas no Brasil, os registros apontam que cerca de 102 mil indivíduos passaram por tais situações.&nbsp;</p>



<p>Um dado importante para o debate desse cenário é a consideração de que o aumento de registros não representa, necessariamente, o aumento dos casos. Betina Barros, pesquisadora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), reflete que ainda não contamos com uma série histórica longa o suficiente para afirmar se o aumento dos índices representa a elevação das ocorrências ou dos registros. “Em alguma medida, esse aumento pode estar relacionado com um represamento de registros, ou seja, registros que não foram feitos durante o período de isolamento social”, analisa.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Questões sociais&nbsp;</strong></h2>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized" id="attachment_671123"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/08/20230810_Debora-Piccirilo.png?resize=250%2C250&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-671123" width="152" height="152"/><figcaption class="wp-element-caption">Debora Piccirillo – Foto: NEV-USP</figcaption></figure>
</div>


<p>Para discutir esse cenário, também é importante compreender os diferentes tipos de violência enfrentados por crianças e adolescentes, uma vez que cada um deles apresenta-se de uma forma diferente. Debora Piccirillo, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP), explica que o estupro, crime que registrou recorde no ano de 2022, por exemplo, é um delito generificado, ou seja, tem como base as desigualdades de gênero presentes em nossa sociedade. “Nós tivemos anos de ataques ao direito das mulheres, de desinvestimento em políticas públicas direcionadas à proteção de mulheres e à promoção da igualdade de gênero, o que influencia a vida das meninas e pode, sim, impactar os dados de estupro”, reflete a especialista.</p>



<p>A morte violenta intencional — que contou com um recuo entre os anos de 2021 e 2022 — também parece ter características específicas. Nela, entre a faixa etária de 0 a 11 anos, as meninas são as principais vítimas e o crime costuma ocorrer dentro de casa, “ou seja, essas mortes acontecem dentro de um contexto de violência doméstica que também está associado à situação das mulheres no Brasil”, adiciona Debora. Enquanto isso, na faixa etária de 12 a 17 anos, os meninos são as principais vítimas de mortes que acontecem em um contexto de violência urbana e policial — sendo importante notar que, em todas as faixas etárias a população negra é a mais afetada que qualquer outro grupo racial&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image" id="attachment_671122"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/08/20230810_violencia_contra_crianca.jpg?resize=1200%2C630&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-671122"/><figcaption class="wp-element-caption">Os maus-tratos estão muito presentes entre os 5 e 9 anos – Foto: Freepik</figcaption></figure>



<p>Betina Barros adiciona que o período pós-pandêmico, que contou com um contexto marcado pela crise econômica, também apresenta relação com o aumento dos índices de violência. “Um contexto de mais conflito social gera uma maior situação de risco para as crianças […]. É algo que a gente vê em todo o mundo e a gente vai precisar de mais tempo para identificar as causas desse fenômeno”, diz.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Violência sexual&nbsp;</strong></h2>



<p>Cerca de 60% das vítimas de violência sexual no Brasil apresentam até 13 anos, ou seja, são vítimas de estupro de vulnerável. Betina Barros explica que, historicamente, o perfil de violência sexual no Brasil e no mundo atinge principalmente crianças. “Isso coloca a violência sexual como uma questão muito central em um sistema que vitimiza principalmente mulheres e que entende crianças muito novas como objetos sexuais […]. A gente não está falando de um estupro normalmente cometido por um desconhecido, a gente está falando normalmente do estupro ocorrido no ambiente familiar”, destaca a especialista.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright is-resized" id="attachment_671125"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/08/20230810_Betina-Barros.png?resize=250%2C250&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-671125" width="180" height="180"/><figcaption class="wp-element-caption">Betina Barros – Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
</div>


<p>Assim como os casos gerais de violência, o aumento dos casos de crimes sexuais parece estar diretamente relacionado com o aumento de registros e denúncias; dessa forma, nota-se que à medida que a população ganha maior conscientização, empoderamento e educação acerca da questão, as denúncias e a percepção acerca da problemática se tornam mais frequentes.&nbsp;</p>



<p>Outra questão que pode ser destacada sobre tais violências é a faixa etária de suas vítimas, sendo possível observar que os maus-tratos estão muito presentes entre os 5 e 9 anos, a exploração sexual entre os 14 e os 17&nbsp; e o estupro entre os 10 e os 13. Debora destaca também que os crimes cometidos contra crianças mais novas costumam ser mais denunciados, enquanto aqueles cometidos contra adolescentes parecem contar com maior tolerância.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Implicações&nbsp;</strong></h2>



<p>As consequências que a violência apresenta na vida de crianças e adolescentes são inúmeras e afetam diretamente o desenvolvimento social e cognitivo das vítimas. Segundo Debora, percebe-se que elas vão desde dificuldades sociais — envolvendo interação com outros indivíduos e questões de sociabilidade — até dificuldades de aprendizagem e comportamento. “A violência não é um problema só no momento em que ela ocorre, mas ela se torna uma questão a longo prazo. Então você tem um dano direto à vítima, que é bastante grave em termos de cidadania e da sociedade não conseguir garantir direitos básicos a todos os seus cidadãos, independentemente da sua idade”, afirma.&nbsp;</p>



<p>Além disso, alguns estudos sinalizam que pessoas vítimas de violência, principalmente quando esta acontece na infância, podem, de certa forma, naturalizar essa prática, tornando-se também autoras de violência no futuro. “Isso não quer dizer que necessariamente todo mundo que sofre uma violência vai se tornar um agressor, mas é um elemento que pode colaborar com um comportamento futuro”, adiciona.&nbsp;</p>



<p>Betina Barros reflete que o ciclo de violência iniciado a partir desses casos deve ser discutido para que pessoas capacitadas — que vão desde o ambiente escolar até as políticas públicas como um todo — possam atuar para que tais situações não se tornem traumas permanentes.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Políticas públicas</strong></h2>



<p>Para evitar o avanço da violência contra crianças e adolescentes, algumas ações públicas fazem-se necessárias, assim, a especialista comenta que um pacto social deve ser estabelecido entre a sociedade civil, as polícias, os equipamentos de saúde e a escola, no sentido de ser completamente contra todo e qualquer tipo de violência contra esse grupo.&nbsp;</p>



<p>“Muitas vezes, pensam que, por se tratar de uma criança, a responsabilidade e a educação sobre essa criança estão exclusivamente direcionadas aos pais, e não é assim que o Estatuto da Criança e do Adolescente preconiza. A educação de uma criança é responsabilidade de todo mundo, também do Estado e também da sociedade”, declara Betina.&nbsp;</p>



<p>Dessa forma, as pessoas devem deixar de associar o uso da violência como forma do processo de educação, sendo necessário consolidar essa ideia no pensamento geral. A identificação dos casos é outra parte desse processo que merece maior atenção, uma vez que a prevenção passa pela qualificação de profissionais para a mais rápida identificação de determinados sinais.</p>



<p>Por fim, Debora reflete que a consideração e a compreensão de que existem questões de gênero e raciais envolvidas em todo esse processo são essenciais para a busca por um fim do crescimento desses casos. “É necessário olhar para cada tipo de violência e produzir políticas focadas nesses casos e não pensar a violência de forma homogênea”, finaliza.&nbsp;</p>



<p>* Estagiária Julia Galvão sob a supervisão de Paulo Capuzzo</p>



<p>Fonte: Jornal USP</p>



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