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	<title>Zuzu |</title>
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		<title>Zuzu: Indivíduo que viveu no Brasil há 9,6 mil anos ganha modelo 3D do seu rosto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gleidson Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Feb 2023 15:31:16 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Zuzu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em entrevista ao site Aventuras na História, Cícero Moraes, o artista responsável pela aproximação facial, explicou o impressionante projeto Em 2022, o renomado designer&#160;Cícero Moraes&#160;e o arqueólogo&#160;Moacir Elias Santos&#160;decidiram se unir para&#160;criar um modelo 3D&#160;do rosto de&#160;Zuzu,&#160;um dos mais antigos habitantes do Brasil do qual temos conhecimento.&#160; O paleoíndio (isso é, indivíduo pertencente a um povo indígena [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph">Em entrevista ao site Aventuras na História, Cícero Moraes, o artista responsável pela aproximação facial, explicou o impressionante projeto</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://ipiracity.com/wp-content/uploads/2022/12/Sem-nome-720-×-90-px-1.jpg" alt="" class="wp-image-70022" width="824" height="103"/></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2022, o renomado designer&nbsp;<a href="http://www.ciceromoraes.com.br/" rel="noreferrer noopener" target="_blank">Cícero Moraes</a>&nbsp;e o arqueólogo<a href="https://www.escavador.com/sobre/4908008/moacir-elias-santos">&nbsp;Moacir Elias Santos</a>&nbsp;decidiram se unir para&nbsp;<mark>criar um modelo 3D</mark>&nbsp;do rosto de<strong>&nbsp;Zuzu</strong>,&nbsp;<mark>um dos mais antigos habitantes do Brasil do qual temos conhecimento.&nbsp;</mark></p>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Paleoamericanos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">paleoíndio</a> (<mark>isso é, indivíduo pertencente a um povo indígena que precedeu a agricultura</mark>) andou pelo território brasileiro nada menos que <mark>9,6 mil anos atrás.</mark> Para dar uma ideia, Luzia, o fóssil mais antigo já encontrado na América do Sul, viveu entre 11 mil e 13 mil anos atrás. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Seu esqueleto foi encontrado em posição fetal durante<mark> uma escavação arqueológica de 1997 realizada no Parque Nacional Serra da Capivara</mark>, que fica localizado no estado do Piauí. Tanto a descoberta quanto o estudo dos restos mortais, por sua vez, foram liderados<mark> pela franco-brasileira Niède Guidon, </mark>pesquisadora especializada em Pré-História. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em uma entrevista exclusiva ao site Aventuras na História,&nbsp;<strong>Cícero</strong>&nbsp;deu detalhes a respeito dos bastidores do projeto. Confira abaixo!&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Patrimônio nacional</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Acostumado a fazer aproximações faciais de crânios encontrados nas mais diversas partes do mundo, o artista brasileiro afirmou se sentir honrado por poder ajudar a &#8220;revelar&#8221; a aparência de uma figura de importância nacional. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">É sempre uma grande honra, pois eu também faço parte desta história e trabalhar apenas com outros países pode ser frustrante no contexto de não contribuir diretamente com a nossa cultura&#8221;, comentou ele.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O designer 3D apontou que uma das ideias por trás do projeto é justamente<mark>&nbsp;chamar atenção da comunidade científica global para o esqueleto de 9,6 mil anos</mark>, fazendo com que sua história seja&nbsp;<mark>&#8220;debatida, comentada e reconhecida&#8221;.&nbsp;</mark></p>



<p class="wp-block-paragraph">A pesquisa em torno de&nbsp;<strong>Zuzu</strong>&nbsp;é particularmente fascinante por se conectar com o estudo do próprio<mark>&nbsp;povoamento da América do Sul</mark>. No caso do paleoíndio, por exemplo, ele possui traços asiáticos.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O que temos é uma afinidade estrutural do crânio do&nbsp;<strong>Zuzu</strong>&nbsp;com algumas populações asiáticas, como o cluster (grupo) dos malaios modernos, dos vietnamitas modernos e dos fósseis e crânios de populações naturais da América&#8221;, explicou&nbsp;<strong>Cícero Moraes</strong>.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Ainda segundo o especialista, o esqueleto encontrado no Piauí tem mais semelhanças com esses grupos do que com brasileiros modernos que possuem ancestralidades europeias ou então africanas. </p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O processo&nbsp;</strong></h2>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/media/uploads/arqueologia/zuzu_1.jpg" alt=""/><figcaption class="wp-element-caption">Imagens mostrando etapas da aproximação facial / Crédito: Divulgação/ Cícero Moraes e Moacir Elias Santos&nbsp;</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Vale destacar que o modelo do rosto de&nbsp;<strong>Zuzu</strong><mark>é descrito pela iniciativa como uma &#8220;aproximação facial&#8221;</mark>, e não uma &#8220;reconstrução facial&#8221;, com essa primeira descrição sendo considerada mais precisa.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">O que nós fazemos é aproximar como poderia ser a face do indivíduo, baseado em dados estatísticos e estudos efetuados sobre anatomia de pessoas vivas. Dizer que reconstruímos seria impreciso, posto que não há como afirmar com 100% de certeza que o rosto seria aquele&#8221;, esclareceu&nbsp;<strong>Cícero</strong>.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O que sabemos é que, a chance de ser aquele volume é muito grande. E temos estudos que evidenciam isso, no entanto, por motivos óbvios, não há como comparar esse rosto com o do <strong>Zuzu</strong>&#8220;, acrescentou o artista. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Além dos dados estatísticos e da análise do crânio em si, o desenvolvimento da aproximação 3D utilizou um<mark>&nbsp;&#8220;doador virtual&#8221;</mark>, isso é, o&nbsp;<mark>modelo do rosto de alguém com características semelhantes ao paleoíndio.&nbsp;</mark></p>



<p class="wp-block-paragraph">O crânio deste doador foi então&nbsp;<mark>deformado digitalmente</mark>&nbsp;até estar no formato de&nbsp;<strong>Zuzu</strong>, um processo que serve para ajudar os pesquisadores a&nbsp;<mark>visualizarem como os tecidos moles (como pele, músculos, etc) provavelmente se comportariam sobre os ossos da face do homem</mark>&nbsp;de quase 10 mil anos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um outro detalhe peculiar a respeito do habitante brasileiro é que um dos primeiros estudos a seu respeito pensaram que os restos mortais pertenciam, na verdade, <mark>a uma mulher.</mark></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outras três pesquisas posteriores, por outro lado, concordaram que se tratava de um homem, porém<mark>&nbsp;a questão ainda pode ser mantida &#8220;em aberto&#8221; por conta das limitações da análise de um fóssil tão antigo.&nbsp;</mark></p>



<p class="wp-block-paragraph">Também pode se considerar que as características do crânio de&nbsp;<strong>Zuzu</strong>&nbsp;possuem certa androginia, o que é refletido em sua aproximação facial:&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Ao aproximarmos a face e deformamos a anatomia, não há como &#8216;esconder&#8217; certas características como a robustez no caso de um homem médio ou a delicadeza das formas, em relação a uma mulher média.<mark>&nbsp;O Zuzu tem um rosto que tende mais para o masculino, mas também conta com elementos delicados</mark>&#8220;, comentou&nbsp;<strong>Cícero Moraes</strong>.&nbsp;</p>
</blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O resultado&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="http://ortogonline.com/doc/pt_br/OrtogOnLineMag/6/Zuzu.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">O artigo científico resultante</a> dos esforços do designer e de <strong>Moacir Elias Santos</strong>, que foi publicado neste início de 2023, traz dois modelos 3D: <mark>um deles é mais objetivo</mark>, procurando retratar o rosto do paleoíndio de forma fiel aos dados científicos aos quais os especialistas tinham acesso. Nesta versão do rosto de <strong>Zuzu</strong>, por exemplo, <mark>o efeito dos dentes que faltam na boca do crânio</mark> é levado em consideração para a criação de sua aparência final. </p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/media/uploads/arqueologia/zuzu_2.jpg" alt=""/><figcaption class="wp-element-caption">A aproximação facial mais objetiva / Crédito: Divulgação/ Cícero Moraes e Moacir Elias Santos&nbsp;</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Já<mark>&nbsp;o segundo modelo é mais especulativo</mark>, isso é, toma a liberdade de acrescentar&nbsp;<mark>características como a cor da pele, dos olhos e do cabelo do habitante brasileiro primitivo, além de projetar seu rosto como se a mandíbula ainda trouxesse todos os dentes.</mark>&nbsp;É importante reforçar que os aspectos escolhidos são baseados em estatísticas, de forma que são prováveis — apenas não são uma certeza.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">[A criação de dois modelos] foi uma forma que achamos de deixar bem evidente as limitações da aproximação facial forense, mas também fornecermos um rosto com todos os elementos possíveis, que efetivamente o humanizam.<mark>&nbsp;O primeiro rosto é voltado para o público técnico e o segundo para a população em geral</mark>&#8220;, concluiu&nbsp;<strong>Cícero.</strong></p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Fonte: Aventura na história</p>



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