Teste do Reflexo Vermelho pode prevenir doenças oculares em crianças

Médica do Hospital das Clínicas alerta que caso não sejam detectadas, o desempenho escolar será prejudicado

Foto: USP

Médica do Hospital das Clínicas alerta que caso não sejam detectadas, o desempenho escolar será prejudicado


Por Leonardo Lopes – Editorias: Atualidades, Jornal da USP no Ar, Rádio USP – URL Curta: jornal.usp.br/?p=257476


 

 

Documento recente elaborado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontou que 75% dos problemas visuais poderiam ser evitados se diagnosticados precocemente. Como forma de reforçar a importância do acompanhamento oftalmológico desde os primeiros dias de vida, hoje se comemora o Dia Mundial da Saúde Ocular.

A prevenção das doenças que acometem os olhos começa ainda na gestação, quando a mãe evita o consumo de álcool ou qualquer outro agente teratogênico, isto é, que pode produzir dano ao feto durante a gravidez, contou ao Jornal da USP no Ar Rosa Maria Graziano, médica da Divisão Clínica Oftalmológica do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Ela aponta que um exame determinante para se descobrir doenças oftalmológicas em crianças é o Teste do Reflexo Vermelho. Obrigatório por lei no Estado de São Paulo desde 2002, neste procedimento o médico passa uma luz na pupila da criança, através de um aparelho especial, e verifica se o reflexo que surge é avermelhado. Caso seja, ele indica que existe transparência de todos os meios do olho e não há problemas. Em casos de catarata congênita, por exemplo, haveria alterações na cor. A especialista pontua que se a catarata for operada entre cinco e oito semanas de vida, a criança consegue ter uma qualidade de vida muito próxima do normal. “Se ela for operada com um ano, já se desencadeou nistagmo (movimentos involuntários) e essa visão mesmo operada não será boa”, complementa.

Existem outros tipos de doença que o teste pode detectar e encaminhar para um tratamento efetivo, como o glaucoma congênito. Até mesmo as doenças infecciosas como rubéola e toxoplasmose, ou o vírus zika, que desencadeou epidemia recentemente nas regiões Norte e Nordeste, podem ser apontadas no Teste do Reflexo Vermelho.

Rosa comenta que o teste deve ser repetido algumas vezes ao longo da infância, com um mês, um ano e três anos de idade. Isso porque algumas patologias não se manifestam desde o nascimento. “Existe um tipo de tumor muito sério na retina chamado retinoblastoma; ele tem incidência por volta de 1 a 3 anos de idade.” Se o tumor for detectado através do exame ainda em estágio inicial, ele pode ser destruído e a visão da criança preservada. Caso contrário, a família provavelmente só notará o problema quando perceber um reflexo branco no olho da criança, onde a solução muitas vezes é a retirada do órgão.

Antigamente era comum as crianças aparecerem nas fotos com os olhos vermelhos, porém os celulares de hoje em dia possuem filtros que contornam este efeito. A doutora aponta que caso os pais queiram procurar indícios de doenças, eles podem remover o filtro de olhos vermelhos de seus celulares e tirar uma foto da criança. Caso apareça um reflexo branco, ele não indica que necessariamente há um tumor. “Eventualmente pode ser um reflexo que atingiu o nervo óptico, ficando branco. Porém, sempre é preferível levar ao oftalmologista para afastar a dúvida”, explica Rosa.

Detectar tais doenças na criança pode evitar complicações que muitas vezes não são aparentes aos pais. Uma delas é o desempenho escolar, já que os problemas de visão podem afetar o modo como as crianças prestam atenção nas aulas. A médica recomenda o blog da Sociedade de Pediatria de São Paulo como fonte de informação para esses casos.

Ao exemplificar ela supõe uma criança que tenha hipermetropia em torno de quatro graus. O cristalino dela tem a capacidade de se contrair e focar a imagem. Desta forma, mesmo tendo dificuldade para enxergar de perto, ela consegue ao forçar a visão. “Esse esforço físico gera um cansaço. Assim, a criança se dispersa rapidamente para não ficar com dor de cabeça, e não presta atenção na aula.” Rosa conclui apontando que a miopia e o astigmatismo também produzem efeitos que prejudicam a aprendizagem das crianças.

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