Febre persistente, dores incomuns, mal-estar: diante de sinais que geram preocupação, cada vez mais brasileiros têm recorrido à inteligência artificial em busca de respostas rápidas. Estudo do Olá Doutor aponta que 7 em cada 10 pessoas utilizaram a IA no último ano para tirar dúvidas sobre sintomas ou possíveis doenças, transformando tais plataformas em uma espécie de primeiro ponto de contato para questões de saúde. A pesquisa ouviu pessoas de diferentes regiões do país e analisou desde a frequência de uso dessas ferramentas até os temas de saúde mais buscados pelos usuários.
Além das dúvidas gerais sobre sintomas, quase metade dos entrevistados também relataram pesquisar sobre medicamentos ou compreender diagnósticos médicos via IA — hábitos que, muitas vezes, trazem consigo efeitos indesejados: 30,4% deles afirmaram já ter interpretado sintomas como mais graves do que realmente eram, enquanto 22,4% disseram ter minimizado sinais que depois se mostraram mais sérios.
Quais são os principais temas relacionados à saúde que levam os brasileiros a utilizar IA?
Em um contexto marcado pela busca por mais agilidade nos serviços de saúde e a popularização da IA no cotidiano, os dados comprovam uma impressão geral: como, nos últimos anos, a tecnologia passou a ocupar um espaço cada vez mais presente na rotina dos pacientes, antes ou após uma consulta médica.
Ao serem questionados pela plataforma, 71% dos entrevistados afirmaram ter recorrido à inteligência artificial no último ano para tirar dúvidas sobre sintomas ou doenças, prática ainda mais comum entre pessoas com doenças crônicas (81,4%) se comparadas àquelas que não convivem com condições contínuas de saúde (61,6%).
Outras diferenças também aparecem quando se observa o perfil dos usuários: as mulheres brasileiras tendem a utilizar mais a IA para questões médicas do que os homens (74,5% contra 66,2%), hábito também mais frequente entre os estudantes e pessoas de até 30 anos — grupos que mais recorreram à tecnologia nos últimos doze meses.
Na prática, canais como o ChatGPT e Gemini servem como uma espécie de ferramenta de apoio para compreender orientações ou informações técnicas. Não por acaso, quase metade dos entrevistados (49%) afirmaram ter usado a IA nos últimos meses para pesquisar sobre medicamentos, 41,6% recorreram à tecnologia para entender diagnósticos e 35,4% disseram usá-la para interpretar exames ou laudos.
Mas, afinal, quais tópicos de saúde vêm levando a população até a inteligência artificial recentemente? Quando o assunto são os temas que mais despertam as buscas, sintomas gerais, como febre, dores e desconfortos lideram o ranking (59,6%), seguidos por nutrição e alimentação (54%) e questões de saúde mental, como ansiedade, estresse ou depressão (46,8%) — que evidenciam como a tecnologia tem sido utilizada tanto para dúvidas imediatas quanto para questões relacionadas ao bem-estar no dia a dia.
O outro lado da tecnologia: os riscos de se recorrer à IA para fins de saúde
Mais do que um recurso para esclarecer dúvidas rápidas, a pesquisa descobriu que o uso da IA também vem influenciando a forma como os brasileiros observam e interpretam a própria saúde, afetando o modo pelo qual a população se informa e toma decisões relacionadas ao próprio corpo e organismo.
Entre os efeitos positivos identificados pelos entrevistados, muitos relataram uma postura mais ativa em relação aos cuidados pessoais: cerca de 58,8% afirmaram ter passado a prestar mais atenção em sintomas e sinais do próprio corpo após utilizar ferramentas de IA, enquanto 52,4% disseram se informar com maior frequência sobre prevenção e cuidados de saúde. Além disso, uma parcela considerável destacou ter adotado mudanças de hábitos no dia a dia (45,4%), incluindo melhorias na alimentação ou na rotina de atividades físicas.
Por outro lado, o estudo também revela que o uso dessas ferramentas pode trazer uma série de riscos sem a orientação médica adequada. Muitos respondentes, por exemplo, afirmaram ter passado a pesquisar de forma excessiva sobre possíveis doenças (20,2%) ou se tornar mais ansiosos em relação à saúde após recorrer à IA (16,8%).
Em alguns casos, a interpretação das informações também gerou distorções: 3 em cada 10 deles relataram já ter interpretado um sintoma como mais grave do que realmente era, ao passo que 22,4% minimizaram sinais que depois se mostraram mais sérios.
Para Anderson Zilli, CEO do Olá Doutor, esse cenário reforça o papel da tecnologia como complemento, e não substituto, da avaliação médica. “Ferramentas podem, sim, ampliar o acesso à informação, mas não substituem a análise clínica feita por um profissional de saúde”, explica. “Com o avanço da telemedicina, ser atendido por um médico deixou de ser um processo demorado e burocrático: hoje, consultas online permitem que pacientes tenham acesso à orientação profissional em poucos cliques, reduzindo o risco de decisões baseadas apenas em informações encontradas na internet.”
Qual será o futuro da IA na saúde? As apostas dos brasileiros
Embora o uso da IA para esclarecer dúvidas médicas já faça parte da rotina de muitos brasileiros, essa relação, segundo os respondentes, ainda é marcada por certo nível de cautela.
A pesquisa também mostra que mais da metade dos entrevistados (52,8%) afirmaram ter algum grau de desconfiança quanto ao armazenamento de seus dados de saúde, por exemplo, entre aqueles que confiam parcialmente nas ferramentas (33,8%), confiam pouco (12,6%) ou não confiam de forma alguma nesse tipo de tecnologia quando o assunto são informações de ordem pessoal (6,4%).
É um cenário que ajuda a explicar como a população enxerga o futuro da inteligência artificial no setor: quando questionados sobre os próximos anos, a maioria dos ouvidos pela empresa acreditam que tal tecnologia deve avançar, mas com certas limitações e cuidados.
Para 29,8% dos respondentes, a IA tende a impulsionar certas inovações na saúde, desde que acompanhada por regulamentações adequadas, enquanto 26,8% acreditam que seu uso será mais restrito — funcionando principalmente como uma ferramenta de apoio, e não uma sucessora do trabalho médico.
Metodologia
Para entender o impacto da IA nos hábitos de saúde dos brasileiros, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.
Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, que exploraram a frequência com que recorrem à IA para fins de saúde, os tópicos mais populares nas ferramentas e seus impactos no dia a dia. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere o percentual de cada alternativa apontada pelos entrevistados.
Fonte: Medicina SA