Sessão de jogador do Flamengo, condenado por forçar cartão amarelo e beneficiar apostas esportivas, deve seguir no fim da semana
O julgamento do atacante Bruno Henrique, do Flamengo, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), foi interrompido e será retomado na quinta ou sexta-feira, após pedido de vista do auditor Marco Aurélio Choy. Até o momento da suspensão, o relator Sergio Furtado Filho havia votado pela absolvição do atleta no artigo 243-A, que trata de manipulação com previsão de até 12 jogos de suspensão e pela aplicação apenas de multa de R$ 100 mil por infração ao artigo 191, sem perda de partidas.
Segundo o relator, o material analisado não comprova que o jogador tenha buscado interferir no resultado da partida para beneficiar apostadores. Ele citou que as movimentações suspeitas de apostas não estabelecem ligação direta com um ato deliberado do atleta.
“O lance reforça a ausência de evidências que vinculem o cartão a um ajuste prévio”, afirmou.

Bruno Henrique, jogador do Flamengo – Leonardo Hubbe/ Agif/Gazeta Press/@Brasileirão
Bruno Henrique esteve no plenário e segue liberado para atuar graças ao efeito suspensivo concedido em setembro. O Flamengo volta a campo no sábado, 15, contra o Sport, em jogo atrasado do Brasileirão.
Condenação em primeira instância
O atacante foi denunciado por supostamente forçar um cartão amarelo contra o Santos, em novembro de 2023, no Mané Garrincha, para favorecer apostadores — incluindo o próprio irmão. Em primeira instância, o STJD impôs suspensão de 12 jogos e multa de R$ 60 mil.
Desde então, o jogador atua sob efeito suspensivo enquanto o clube e sua defesa recorrem para reverter a condenação. Paralelamente, a Procuradoria tenta ampliar a punição.
Quatro cenários permanecem abertos: absolvição, redução da pena, manutenção da suspensão de 12 jogos ou aumento do gancho.

Bruno Henrique está jogando sob efeito suspensivo – RAUL ARBOLEDA / AFP
Antes da análise do mérito, o tribunal rejeitou por 9 a 0 pedido da defesa para declarar prescrita a ação. Os advogados alegaram que o prazo legal para denunciar o caso (60 dias após abertura do inquérito) teria sido ultrapassado.
Investigação criminal
A Procuradoria sustentou que só pôde instaurar investigação após obter acesso ao material da Polícia Federal, pois a Justiça Desportiva não dispõe dos mesmos meios de apuração. Com o pedido negado, o julgamento do recurso foi iniciado.
O Flamengo argumentou que o cartão não prejudicou o clube e que a atitude do jogador fazia parte de estratégia esportiva, prática comum no futebol. A defesa afirmou que as mensagens reveladas pela PF não configuram intenção de manipular resultado e apresentou como argumento o fato de que o cartão planejado inicialmente nem ocorreu naquela partida.
No âmbito criminal, Bruno Henrique responde por suposta fraude esportiva, após ser indiciado pela Polícia Federal com base em conversas extraídas do celular de seu irmão, Wander Nunes. O Ministério Público do Distrito Federal denunciou o jogador, e o processo segue tramitando na Justiça comum.
Fonte: Placar / Bruno Henrique está no top 3 de jogadores mais faltosos do Brasileirão – Gilvan de Souza/Flamengo