Pesquisa revela regiões ideais do genoma do milho para criação de plantas transgênicas

Bahia Brasil CITY RURAL

Segunda, 12 de janeiro de 2026

Um estudo liderado por pesquisadores da Unidade Mista de Pesquisa em Genômica Aplicada a Mudanças Climáticas – UMiP GenClima/GCCRC apresenta um panorama inédito das tecnologias mais promissoras para inserir genes de forma precisa no genoma de plantas, especialmente no milho. A revisão, realizada em parceria com o Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) e a Embrapa Agricultura Digital, detalha como novas abordagens de engenharia genética podem tornar o processo mais rápido, preciso e efetivo. O estudo foi publicado na revista Frontiers in Plant Science.

GCCRC é um centro de pesquisa aplicada sediado na Unicamp, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Embrapa, focado no desenvolvimento de soluções genéticas e biotecnológicas para aumentar a tolerância de culturas agrícolas a estresses ambientais. Combinando a descoberta de genes, genômica, microbiologia, melhoramento e bioinformática, o centro busca desenvolver ferramentas mais eficientes e sustentáveis para a agricultura em um cenário de crise climática.

Uma das frentes de pesquisa do centro é desenvolver plantas de milho transgênicas ou editadas tolerantes à seca. Entretanto, a inserção de genes de interesse na planta ainda depende, majoritariamente, de processos incertos, ou seja, o gene introduzido de forma aleatória pode ocorrer em regiões não seguras ou instáveis do genoma, razão pela qual torna o processo tradicional de produção de plantas geneticamente modificadas lento, oneroso e impreciso.

Somado a isso, as normas de biossegurança exigem que, em uma linhagem de interesse comercial, o transgene esteja em cópia única, íntegra e em uma área segura e estável do genoma, o que é difícil quando tudo acontece ao acaso.

“A estratégia de integração randômica de transgenes gera mais de 90% dos eventos transgênicos com inserção em posições indesejadas e atividade instável, agravada ainda mais pela inserção de múltiplas cópias ou de cópias truncadas”, explica Marcos Basso, biotecnologista do GCCRC e autor do estudo. Dependendo do local, o gene pode ser expresso em excesso ou de menos, comprometendo sua função. Em certos casos, o próprio mecanismo molecular da planta pode silenciar o transgene.

“Portos seguros genômicos”

Para contornar essas limitações, o estudo revisa metodologias de inserção sítio-específica de transgenes e discute um conceito-chave: os “portos seguros genômicos” (do inglês, genomic safe harbors), que são regiões estáveis do genoma nas quais transgenes inseridos tendem a expressar seu máximo potencial, ser previsível e herdável ao longo das gerações.

“Ao colocar o transgene nestas regiões intergênicas seguras, o transgene  será expresso e transmitido para as próximas gerações”, afirma a pesquisadora Juliana Yassitepe, da Embrapa Agricultura Digital e uma das autoras do estudo.

Desta forma, é possível gerar menos plantas para selecionar uma linhagem de elite, reduzir o tempo e o custo de geração e aumentar a previsibilidade.

De acordo com outro estudo realizado pelo GCCRC, o desenvolvimento de uma linhagem comercial de milho transgênico pode levar entre 11 e 13 anos, com investimentos estimados entre US$ 50 milhões e US$ 136 milhões. “Já a geração de uma linha elite usando metodologias de inserção sítio-específica de transgenes prevê desenvolver em até 10% do tempo, custo e esforço”, explica Basso.

A revisão destaca iniciativas pioneiras da Corteva Agriscience, que já identificou quatro desses “portos seguros” no milho. Inspirada por esses resultados, a equipe do GCCRC aplicou um software originalmente desenvolvido para leveduras, adaptando-o ao genoma do milho. O grupo identificou novos candidatos a “portos seguros” por meio de análises bioinformáticas e agora inicia a etapa experimental.

No GCCRC, uma das primeiras aplicações, segundo Yassitepe, será a inserção de genes associados à tolerância à seca, uma das principais ameaças à produção agrícola sob mudanças climáticas.

“Ao entender melhor onde e como inserir transgenes com precisão, damos um passo importante para desenvolver linhas elites mais adaptadas e eficientes”, concluem os autores.

O estudo “Recent advances in site-specific transgene insertion into the maize genome using recombinases and genome editing endonucleases” pode ser lido em https://www.frontiersin.org/journals/plant-science/articles/10.3389/fpls.2025.1712585/full .

Paula Drummond de Castro
Centro de Pesquisa em Genômica para Mudanças Climáticas (GCCRC)

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Graziella Galinari (MTb 3863/PR)
Embrapa Agricultura Digital

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Fonte: EMBRAPA / A identificação de “portos seguros” no genoma do milho abre caminho para acelerar, baratear e tornar mais preciso o desenvolvimento de cultivares./ Foto: Daniel Pompeu

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