Autoridade monetária amplia efeitos do caso Master e aciona FGC para cobrir investidores da financeira
O Banco Central (BC) decretou na quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., conhecida como Will Bank, por extensão da liquidação do Banco Master, decidida em novembro de 2025. A autarquia apontou comprometimento da situação econômico-financeira, insolvência da instituição e o vínculo de interesse decorrente do controle exercido pelo Banco Master como fundamentos da medida.
Com a decretação da liquidação, os CDBs emitidos pela Will Financeira passam a estar cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitado o limite de 250 mil reais por CPF. O movimento ocorre no momento em que o FGC iniciou nesta semana os pagamentos aos investidores do Banco Master, operação que deve somar cerca de 40,6 bilhões de reais para aproximadamente 800 mil credores, no maior desembolso de garantia já realizado.
O BC nomeou como liquidante a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., a mesma responsável pela liquidação do Banco Master. Em decorrência do processo, os bens dos controladores e ex-administradores da Will Financeira, incluindo pessoas físicas e holdings ligadas ao grupo Master, foram tornados indisponíveis.
A liquidação da Will Financeira amplia os efeitos do processo aberto contra o Banco Master e se insere na estratégia do BC de retirar do sistema instituições consideradas irrecuperáveis, interrompendo suas operações e bloqueando o patrimônio de controladores. Esse regime difere da administração especial temporária, em que as atividades são mantidas enquanto uma solução de mercado é buscada.
Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre de 2025 com 14,4 bilhões de reais em ativos, prejuízo de 244,7 milhões de reais e patrimônio líquido próximo de 300 milhões de reais, além de 6,5 bilhões de reais em depósitos a prazo em setembro. Antes da decisão do BC, a Mastercard já havia deixado de aceitar transações com cartões do Will Bank e executado garantias ligadas a dívidas da instituição, passando a deter participações relevantes na Westwing e no BRB.
Fonte: Money Report / Will Bank | Imagem: divulgação