Sexta-feira, 23/01/2026
Por Redação
Uma parcela de 59,3% dos brasileiros afirma ter algum conhecimento sobre o Holocausto. No entanto, apenas 53,2% conseguem defini-lo corretamente como “o extermínio sistemático de seis milhões de judeus pelo regime nazista”. Outros 31,1% dizem não saber o que foi o genocídio perpetrado contra a população judaica no contexto da Segunda Guerra Mundial. Já 9% da população descrevem o Holocausto como um “conflito militar com 50 milhões de vítimas”, enquanto 3% acreditam que tenha sido um “movimento cultural”. Além disso, 2,9% afirmam que o Holocausto foi um “episódio isolado de violência não comprovada”.
Os dados são da pesquisa “O conhecimento do Holocausto no Brasil”, realizada pelo Grupo ISPO a pedido da Confederação Israelita do Brasil (Conib), do Memorial do Holocausto de São Paulo, do Museu do Holocausto de Curitiba e da ONG StandWithUs Brasil. O levantamento foi apresentado na manhã desta quinta-feira (22), no Memorial do Holocausto de São Paulo.
Realizada em um contexto de crescimento do antissemitismo e da desinformação, a pesquisa teve como objetivo mapear o nível de conhecimento dos brasileiros sobre o Holocausto, identificar lacunas educacionais, apontar as principais fontes de informação utilizadas pela população e avaliar a percepção social sobre a importância do ensino do tema nas escolas e em espaços de memória. O estudo também busca oferecer subsídios para a formulação de políticas educacionais voltadas à promoção dos direitos humanos, da memória e da democracia.
De acordo com a pesquisa, a escolaridade é o fator mais determinante para o nível de conhecimento sobre o Holocausto. Entre os entrevistados com pós-graduação, 86,2% acertaram a definição. Em contrapartida, apenas 27,2% dos respondentes com ensino médio completo sabiam o que foi o Holocausto. O mesmo padrão se repete em relação à renda familiar: somente 42,6% das pessoas com renda de até dois salários mínimos conheciam a definição correta, contra 87,1% entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos. Outro dado relevante aponta que 38,5% da população não sabem que Auschwitz foi um campo de extermínio.
Entre as fontes de informação citadas pelos entrevistados, a escola aparece como a principal (30,9%), seguida por filmes e livros (18,6%). Museus e casas de memória foram mencionados por apenas 1,7% dos participantes. Apesar do conhecimento limitado sobre o tema, 64,4% dos entrevistados afirmaram que o ensino do Holocausto nas escolas é fundamental. Ainda assim, 87,3% declararam nunca ter participado de atividades educacionais ou visitas a museus voltadas à preservação da memória do Holocausto.
Fonte: Bahia Noticias / Foto: Reprodução/Museu Memorial do Holocausto