Referência em diagnóstico para Histoplasmose, Instituto Couto Maia leva estudo para sessão científica no Hospital Prado Valadares

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Doença fúngica com alta prevalência nas Américas, a histoplasmose disseminada é uma das principais causas de morte evitável entre pessoas vivendo com HIV e outras condições imunossupressoras no Brasil. Nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, a doença atinge taxas de prevalência acima de 40% entre pacientes hospitalizados, com taxas de fatalidade muito altas nestes centros.

Neste cenário, um grupo de médicos baianos do Instituto Couto Maia vem sendo referência na Bahia em um método de diagnóstico rápido, que visa reduzir a mortalidade da doença e sua subnotificação no estado. Este método foi apresentado em sessão científica realizada no Hospital Prado Valadares, em Jequié.

“Como é uma doença que não é de notificação compulsória e que o diagnóstico era dado só por exames invasivos e por cultura, se tornava difícil perceber a prevalência da Histoplasmose no estado da Bahia”, afirma o Doutor Claudilson Bastos, professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e coordenador de Ensino e Pesquisa do Instituto Couto Maia (ICOM), hospital especializado em doenças infectocontagiosas e parasitárias.

Por meio de pesquisas realizadas no próprio ICOM, Claudison intensificou a investigação sobre a frequência de casos da doença no estado, o que foi apurado graças a um novo método de teste rápido que ajuda no diagnóstico mais preciso da histoplasmose.

“Por conta dos estudos e exames invasivos realizados no Couto Maia, fiz uma estimativa de frequência desta doença no nosso estado e apresentei, ao lado de médicos de todo o país, no e Brazilian Histoplasmosis Meeting, no ano de 2022. Meses depois, recebemos de uma equipe a doação de um método de diagnóstico rápido, o Teste Rápido para Histoplasma, no qual passamos a adotar em pacientes com quadro clínico suspeito e vimos o quanto essa doença ainda é subnotificada e subdiagnosticada”, completou Claudison Bastos.

O Teste Rápido para Histoplasma é realizado através da urina do paciente, com resultado em tempo médio de 30 minutos por exame. Quando implementado precocemente, este método reduz a morbi mortalidade de forma significativa. Dentro de um método de menor tempo e maior detecção do fungo, a equipe do Instituto Couto Maia, junto aos residentes da UNEB, trouxe dados mais precisos que não só, demonstram a subnotificação, como esclarecem o um recorrente diagnóstico diferencial com a tuberculose, outra grave doença que apresenta sintomas semelhantes com a Histoplasmose.

“Realizamos uma pesquisa e apresentamos no Congresso Brasileiro de Infectologia de 2023, no qual entre 23 pacientes com sintomas, 13 deles deram positivo para histoplasma capsulatum. É uma doença que tem características muito parecidas com a tuberculose, quase idênticas na verdade”, reitera Claudilson.

O infectologista realiza um trabalho na Central Integrada de Controle e Comando da Saúde, no qual ao lado de estudantes de medicina e médicos residentes vem realizando um trabalho de informação e educação sobre a suspeita da histoplasmose em todo o estado. Em contato com outros hospitais da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), o médico busca levar aos outros hospitais do interior baiano o mesmo método que vem ajudando no combate à doença fúngica, além de treinar equipes para a possibilidade de notificação compulsória da doença.

“Hoje, o Instituto Couto Maia tem esse teste como referência no estado, criamos um fluxograma e estamos indo para outros centros. Agora mesmo, iniciaremos um estudo no Hospital Prado Valadares, em Jequié, para avaliar a possibilidade da histoplasmose no estado da Bahia. Principalmente, nas pessoas que vivem com o vírus HIV e nas imunossuprimidas, ou seja, que apresentam mais riscos por conta da baixa imunidade”, explicou.

Com base nos dados já existentes no ICOM, Claudilson alerta sobre a necessidade de notificação compulsória para Histoplasmose na Bahia, ação alinhada com o Manifesto de Porto Alegre e à Declaração de Manaus, que estabelecem metas de acesso universal a testes rápidos e aos antifúngicos essenciais no setor público. Avanços recentes no Brasil incluem a incorporação, em 2025, do teste imunoenzimático para antígeno de Histoplasma no SUS (decisão da Conitec/Ministério da Saúde), o que representa um passo concreto rumo a essas metas.

A histoplasmose é causada por fungos dimórficos da espécie Histoplasma capsulatum. Os indivíduos geralmente adquirem a infecção pela inalação (entrada) de partículas infectantes do fungo decorrente do manuseio do solo, frutas secas e cereais e nas árvores. Ele é também isolado nos excrementos de morcegos e aves, como galinhas e outras gregárias, e em ambientes úmidos com a existência de mofos.

Outras espécies animais podem se infectar com H. capsulatum, como cães, gatos, cavalos, bovinos, suínos, roedores e marsupiais, entre outros. Não há transmissão de homem a homem, e nem de animais para o homem.

Com Informações da Sesab

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