Na última partida antes da Copa, técnico italiano encontra boas respostas jogadores de convocados e fica mais perto de lista final
Carlo Ancelotti usou boa parte da última entrevista antes da partida contra a Croácia para pedir calma ao torcedor brasileiro. Por diversos momentos, o técnico italiano arqueou uma das sobrancelhas e demonstrou visível incômodo com as desconfianças após a derrota por 2 a 1 da seleção brasileira diante da França sustentando já ter uma escalação bem definida, assim como a lista final para a Copa do Mundo.
Na terça-feira, 31, ainda no gramado do Camping World Stadium, em Orlando, Ancelotti foi flagrado sorridente por provavelmente ter ganhado bons dilemas para a convocação que será anunciada no dia 18 de maio. Nomes como Endrick, Danilo Santos, Ibañez, Igor Thiago e Léo Pereira saem fortalecidos da Data Fifa e dos últimos testes promovidos pelo treinador.
Com cinco mudanças na escalação em relação ao jogo anterior, o treinador teve boas respostas em quase todas as modificações iniciais feitas.
Na lateral direita, Ibañez ganhou a vaga de Wesley e teve atuação convincente, cumprindo papel semelhante ao idealizado por Ancelotti quando escalou Militão pelo setor. Na ocasião, a defesa era composta por Gabriel Magalhães e Marquinhos, vista pelo treinador como a dupla de zaga titular.
A perda do jogador do Real Madrid por contusão, somada irregularidade dos testados ou lesões de Wesley, Vanderson, Paulo Henrique e Vitinho, levou o atleta do Al-Ahli – convocado pela primeira vez por Ancelotti – a “furar a fila” e ganhar boas chances de não só permanecer para lista final, como até de se tornar titular. Se estiver recuperado e bem fisicamente, Militão ainda é o preferido.
Outro nome de destaque foi Danilo Santos, que já apresentava claros sinais de que poderia ganhar mais espaço. Um dos poucos poupados pelos torcedores nos minutos em que atuou na derrota para os franceses, o jogador do Botafogo correspondeu a chance como titular com protagonismo semelhante a do “dono” da posição, o meio-campista Bruno Guimarães, que, ao lado de Casemiro, é considerado um pilar do meio-campo por Ancelotti.

Danilo comemora gol que pode ter lhe garantido vaga no Mundial – Rafael Ribeiro/CBF
Atuando mais próximo ao quarteto ofensivo, Danilo marcou o gol que abriu caminho para a vitória ao aproveitar um rápido contra-ataque. Agora, Ancelotti precisará decidir entre ele e Andrey Santos ou na possibilidade de levar os dois, já que Fabinho é visto como o substituto imediato de Casemiro.
Luiz Henrique voltou a ter atuação consistente.. Destaque em outras oportunidades quando acionado pelo comandante, como na vitória por 3 a 0 sobre o Chile, pelas Eliminatórias, e diante da França, o jogador do Zenit foi mais uma vez incisivo pela ponta direita, atraindo marcadores e sendo parado com sucessivas faltas. Provocou o cartão amarelo em dois jogadores da Croácia.
Vira uma boa “sombra” para Estêvão, artilheiro da era Ancelotti, com cinco gols, e ainda considerado o titular da posição em um primeiro momento.

Luiz Henrique foi caçado pela marcação croata – Cristobal Herrera/EFE
Já João Pedro, outro escolhido para começar jogando, teve atuação mais discreta. Contudo, apesar de ter desperdiçado boas oportunidades para balançar as redes, sua presença pode servir como a última prova para Ancelotti manter Vinicius Junior atuando aberto pela ponta esquerda – e não mais centralizado como um “delantero centro”, modo como o itlaiano chama o atacante que ataca o espaço pelo meio.
Passou pelos pés do astro do Real Madrid quase todoos melhores momentos da seleção no primeiro tempo, que teve seu ápice no gol. Em contra-ataque iniciado por Matheus Cunha, Vini Jr. arrastou três marcadores e encontrou Danilo livre na marca do pênalti para abrir o placar. Um ponto final aos questionamentos sobre o desempenho abaixo do que apresenta no clube.

Vini Jr construiu a jogada para o primeiro gol, marcado por Danilo Santos – Cristobal Herrera/EFE
Cunha, por sinal, é outro que também praticamente assegura sua titularidade como meia-atacante na Copa. Questionado diante dos franceses, sobrou em intensidade contra os croatas: teve participação direta no primeiro gol, além de colaborar ativamente na marcação.
O jogo ainda permitiu que Ancelotti realizasse oito substituições. Entraram Danilo Luiz, Kaiki Bruno, Fabinho, Andrey Santos, Rayan, Gabriel Martinelli, Igor Thiago e Endrick, que precisou de muito pouco para mostrar por que merece estar na próxima Copa do Mundo.
Se Ancelotti chamou Endrick de “futuro da seleção” na última entrevista, viu o jovem resolver no presente, e em apenas 20 minutos, os problemas e questionamentos que a equipe sofreria por conta de um gol levado aos 38 minutos do segundo tempo – após falha dupla de Danilo Luiz e do goleiro Bento.
Aos 40 minutos, o camisa 9 do Lyon, conhecido pela estrela e o poder de decisão apesar da pouca idade, sofreu um pênalti, convertido por Igor Thiago. Logo depois, aos 46, conduziu sozinho um contra-ataque e serviu Martinelli, que fechou o placar. Uma atuação que deve assegurá-lo entre os 26.

Endrick e Igor Thiago comemoram gol da virada; atuação pode colocá-los na Copa – Rafael Ribeiro/CBF
A boa atuação de Igor Thiago, que teve frieza para bater o pênalti que colocou novamente o Brasil em vantagem no placar, também pode garantir o centoravante do Brentford na Copa, vencendo a concorrência com nomes como Igor Jesus, Pedro e Kaio Jorge. Função essa desejada por Ancelotti.
Titular nas duas partidas, o zagueiro Léo Pereira foi outro citado por Ancelotti e também ficou mais próximo da convocação. No setor, fica uma interrogação por conta da boa atuação de Bremer, autor do gol diante dos franceses, e de Ibañez, que pode atuar como zagueiro ou lateral. Quase certo é que Fabrício Bruno, do Cruzeiro, dificilmente estará na competição.
Fonte: Placar / Seleção brasileira venceu a Croácia em amistoso em Orlando – Cristobal Herrera/EFE