Oito governadores evitam disputa em 2026 e ampliam estratégia de controle político sobre sucessões estaduais

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O cenário político brasileiro registra uma inflexão relevante: ao menos oito governadores em fim de segundo mandato optaram por permanecer no cargo e não disputar as eleições deste ano, priorizando o controle da sucessão estadual e a gestão de seus grupos políticos. A decisão ocorre às vésperas do prazo legal de desincompatibilização, que se encerra no próximo sábado (04/04), e revela um movimento estratégico que combina cálculo eleitoral, conflitos internos e reorganização partidária em nível nacional.

O número de governadores que optaram por não disputar cargos eletivos em 2026 é o mais elevado das últimas eleições, superando os registros de 2022 e 2018. Enquanto dez gestores renunciam aos cargos para concorrer e nove buscam a reeleição, uma parcela significativa decidiu permanecer no poder até o fim do mandato.

Entre os principais nomes estão Ratinho Junior (PSD), no Paraná, e Eduardo Leite (PSD), no Rio Grande do Sul, ambos cotados anteriormente para disputas nacionais. Ratinho abriu mão da candidatura presidencial por decisão própria, enquanto Leite foi preterido dentro de seu partido e optou por apoiar seu vice, Gabriel Souza (MDB), na sucessão estadual.

Esse movimento indica uma mudança de lógica: em vez de buscar projeção nacional, parte dos governadores passou a priorizar a influência direta sobre a transição de poder em seus estados, garantindo continuidade administrativa e preservação de alianças.

Conflitos com vices e disputas internas pesam nas decisões

Em ao menos cinco estados, a decisão de permanecer no cargo está diretamente ligada a rupturas políticas com vice-governadores, o que poderia gerar perda de controle da máquina pública caso houvesse renúncia.

No Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra (PT) decidiu não disputar o Senado após romper com seu vice, Walter Alves (MDB). A eventual renúncia conjunta poderia levar a uma eleição indireta na Assembleia Legislativa, criando um cenário de incerteza institucional.

Situação semelhante ocorre no Maranhão, onde o governador Carlos Brandão e o vice Felipe Camarão (PT) protagonizam uma disputa política e judicial. A expectativa é de que ambos estejam em lados opostos na eleição estadual, evidenciando o grau de fragmentação interna.

Outros governadores, como Wilson Lima (AM)Marcos Rocha (RO) e Wanderlei Barbosa (TO), também permanecem no cargo em meio a tensões com seus respectivos vices, reforçando o padrão de instabilidade política regional.

Renúncias seletivas e corrida ao Senado seguem como alternativa

Apesar do aumento de governadores que optaram por não disputar cargos, a estratégia tradicional de migração para o Senado permanece relevante. Ao menos oito gestores estaduais devem concorrer a vagas na Casa Legislativa.

Entre eles estão Helder Barbalho (PA) e João Azevêdo (PB), aliados do presidente Lula, além de nomes como Mauro Mendes (MT) e Gladson Cameli (AC), que tendem a se alinhar com o campo conservador.

Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), antecipou sua saída para tentar viabilizar candidatura presidencial, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) deixou o governo de Goiás para disputar o Planalto com discurso voltado ao eleitorado de direita.

No entanto, a fragmentação partidária e a divisão interna no PSD indicam dificuldades para consolidar candidaturas nacionais competitivas.

Disputas estaduais e cenários eleitorais complexos

Entre os governadores que buscarão a reeleição, o cenário também é heterogêneo. Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve repetir a disputa em São Paulo, enquanto governadores petistas enfrentam realidades distintas.

No Piauí, Rafael Fonteles (PT) apresenta cenário favorável, mas na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) deve enfrentar nova disputa contra ACM Neto (União Brasil), em meio a tensões internas na base aliada.

No Ceará, o quadro é ainda mais desafiador: pesquisa Datafolha aponta vantagem de Ciro Gomes (PSDB) sobre o atual governador Elmano de Freitas (PT), além da possibilidade de interferência política de Camilo Santana, que pode reassumir protagonismo na disputa.

*Com informações do jornal Folha de S.Paulo.

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