As canções, memórias e a trajetória musical do Ilê Aiyê passam a integrar um registro editorial com o lançamento do livro “Cantos de Ancestralidade – Antologia Musical do Ilê Aiyê”, marcado para terça-feira (07/04/2026), às 14h, na Senzala do Barro Preto, no Curuzu, em Salvador. A obra reúne mais de 200 composições, consolidando décadas de produção cultural do primeiro bloco afro do Brasil.
O evento de lançamento será gratuito e aberto ao público, com apresentações musicais e participação de artistas, compositores e representantes da cultura afro-brasileira. A programação também integra o encerramento do projeto “Música e Educação”, que articula ações culturais e pedagógicas.
Organizado pela jornalista Valéria Lima, com pesquisa de Catarina Lima, o livro reúne contribuições de diversos autores e registra a história, a musicalidade e a atuação do Ilê Aiyê na valorização da identidade afro-brasileira.
Obra reúne memória, música e identidade cultural
A publicação apresenta um conjunto de letras, registros históricos e narrativas ligadas à trajetória do Ilê Aiyê, funcionando como instrumento de preservação cultural e difusão de conhecimento. O conteúdo documenta a atuação do bloco ao longo de mais de cinco décadas, destacando sua contribuição para a formação da consciência racial e cultural no Brasil.
Além do caráter histórico, o livro também atua como ferramenta educacional, alinhada à Lei 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas. A obra busca suprir a demanda por materiais didáticos voltados à educação étnico-racial.
Segundo a organização, as composições do Ilê Aiyê abordam temas relacionados à história do povo negro, personalidades brasileiras e africanas e questões sociais, contribuindo para o uso da música como recurso pedagógico.
Lançamento integra projeto “Música e Educação”
O livro integra o projeto “Música e Educação”, desenvolvido por instituições culturais e educacionais, com foco na promoção da educação antirracista e valorização da cultura afro-brasileira. A iniciativa também marcou a retomada das atividades da Escola Mãe Hilda, após interrupções durante a pandemia da Covid-19.
Ao longo de 2025, o projeto promoveu formação de mais de 80 professores, com certificação, além de ações como encontros com compositores, circulação de obras literárias e fortalecimento da estrutura institucional.
As atividades buscaram ampliar o uso da música como ferramenta pedagógica, incentivando práticas educacionais alinhadas à história e cultura afro-brasileira.
Impacto cultural e educacional
A publicação reforça o papel do Ilê Aiyê como agente de produção cultural, educação e preservação da memória afro-brasileira. O livro conecta diferentes gerações ao reunir conteúdos que dialogam com arte, história e identidade.
O lançamento também amplia o acesso a conteúdos voltados à educação étnico-racial, contribuindo para a implementação de políticas públicas educacionais e para o fortalecimento de práticas pedagógicas inclusivas.
Com a iniciativa, o Ilê Aiyê consolida sua atuação como referência na valorização da cultura negra e na difusão de conhecimento por meio da música, com impacto em diferentes áreas da sociedade.
Fonte: Jornal Grande Bahia