PL e PT tornam-se as maiores bancadas; eleições 2026 registram o maior número de governadores fora da corrida eleitoral
por Igor Carvalho – Sexta, 3 de abril de 2026
O encerramento da janela partidária, às 23h59 desta sexta-feira (3), apresenta uma nova organização das forças políticas que disputarão a corrida eleitoral de 2026. Este período, que permite a migração de políticos sem a perda do cargo por infidelidade, serve como o primeiro termômetro das alianças e do peso real das legendas antes do início oficial das campanhas.
Por essa perspectiva, chama a atenção o desempenho do PSD, liderado por Gilberto Kassab. Embora a legenda tenha buscado se posicionar como o fiel da balança no centro político nacional, os resultados finais da janela indicaram uma retração inesperada em frentes estratégicas, sugerindo que a estratégia de atuar como mediador entre bolsonaristas e lulistas pode ter enfrentado limites diante da polarização.
Em São Paulo, principal vitrine do partido, o revés foi nítido. O PSD, que almejava consolidar a maior bancada na Assembleia Legislativa (Alesp), acabou sendo ultrapassado por PL e PT. A legenda presidida por Kassab teve que se conformar com a terceiro posição. Tradicional no estado, o PSDB quase desapareceu, despencando de oito deputados para apenas dois.
Isso acontece na semana em que Kassab anunciou que deixou o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), onde ocupava o cargo de secretário de Governo e Relações Institucionais. A saída foi provocada por um rompimento entre governador e o presidente do PSD.
A queda no número de parlamentares do PSD reflete uma dificuldade de retenção diante do avanço do PL, que capturou uma parcela significativa do eleitorado conservador nos últimos anos e que mostrou força nacionalmente entre os partidos de direita e centro.
Ao todo, o PL perdeu quatro deputados federais, mas teve 17 novas adesões, saltando para 105 parlamentares na Câmara dos Deputados e confirmando a legenda como maior bancada da Casa, seguido pelo PT, com 67.
Impressiona a queda do União Brasil, que perdeu 18 deputados federais e somente dois chegaram. O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se manteve com os mesmos 67.
Confira abaixo a lista completa das transferências partidárias, até o fechamento dessa reportagem.
PL: 4 saídas e 17 adesões;
União Brasil: 18 saídas e 2 adesões;
PSDB: 3 saídas e 9 adesões;
PSD: 5 saídas e 6 adesões;
PSOL: 1 adesão;
PV: 1 adesão;
MDB: 5 saídas e 4 adesões;
PRD: 3 saídas e 1 adesão;
Avante: 3 saídas e 4 adesões;
PDT: 4 saídas;
PC do B: 1 adesão;
Podemos: 2 saídas e 3 adesões;
PP: 1 saída e 2 adesões;
PSB: 4 saídas e 4 adesões;
REDE: 1 saída e 1 adesão;
Republicanos: 6 saídas e 6 adesões;
Solidariedade: 1 saída e 1 adesão;
Missão: 1 adesão;
Governos estaduais
Em paralelo à corrida partidária, outro dado chama a atenção para o próximo pleito: o elevado número de governadores que estarão fora da disputa eleitoral. Em 2026, oito chefes de Executivos estaduais não vão disputar a reeleição ou outros cargos.
O prazo para descompatibilização dos cargos públicos para a disputa eleitoral também acaba nesta sexta-feira. Governadores que seguem à frente do mandato não podem mais participar das eleições.
Entre os nomes de peso que decidiram não concorrer estão os governadores Ratinho Junior (PSD), do Paraná, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul. Ambos haviam sido cotados para voos nacionais por Gilberto Kassab.
Fonte: Brasil de Fato / Tribunal Superior Eleitoral | Crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil