Terça, 7 de abril de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (7) que suspenderá os ataques planejados contra o Irã por duas semanas, citando contatos diplomáticos em andamento. Na sequência, a Casa Branca informou que Israel também concordou com o acordo.
“A razão é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um acordo definitivo sobre a paz de longo prazo com o Irã e a paz no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de dez pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para negociação”, declarou nas redes sociais.
Segundo Trump, a decisão segue discussões com a liderança do Paquistão e está condicionada à reabertura do estreito de Ormuz. Ele acrescentou que as negociações estão “muito avançadas”, apontando para um possível acordo visando paz de longo prazo.
Conforme a emissora CNN, os ataques também serão suspensos ao longo do período por Israel, que atuava de forma conjunta com Washington nos bombardeios em série contra o Irã nas últimas semanas.
O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, deu detalhes nas redes sociais do que foi acordado entre Washington e Teerã. Segundo o diplomata, a Casa Branca concordou em utilizar a proposta iraniana de dez pontos como ponto de partida para as negociações.
Dentre elas está o fim das sanções econômicas contra Teerã, o reconhecimento da soberania iraniana sobre Ormuz e de seu direito de enriquecer urânio, o fim das agressões militares e o pagamento de indenizações ao Irã.
“Por um período de duas semanas, passagem segura pelo estreito de Ormuz será possível via coordenação com as Forças Armadas do Irã, considerando limitações técnicas.”
A expectativa é de que Estados Unidos e Irã sentem para novas negociações na próxima sexta-feira (10), em Islamabad, capital do Paquistão. A emissora norte-americana CNN afirmou que são esperados nas negociações o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, seu genro, Jared Kushner, e o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance.
Horas antes do ultimato ao Irã, em que ameaçou “dizimar” uma civilização inteira, Trump alegou que estava em negociações intensas com o país persa. O prazo era até as 21h00 (horário de Brasília) para que a navegação fosse normalizada no estreito. Caso contrário, o líder norte-americano prometeu atacar usinas de energia elétrica, pontes e outras infraestruturas civis.
“Uma civilização inteira morrerá esta noite para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. […] Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, disse mais cedo.
Do outro lado, uma fonte militar do Irã afirmou à rede Tasnim que, caso Trump avançasse, Teerã responderia ampliando sua lista de alvos estratégicos na região, como a maior companhia de petróleo do mundo, localizada na Arábia Saudita.
O acordo ocorreu após o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, pedir a Trump a extensão do prazo por duas semanas para concluir um acordo entre Estados Unidos e Irã.
“Acolho com satisfação este gesto sábio e expresso minha mais profunda gratidão à liderança de ambos os países, convidando suas delegações a Islamabad na sexta-feira, 10 de abril de 2026, para prosseguir com as negociações em busca de um acordo definitivo para resolver todas as disputas. Ambas as partes demonstraram notável sabedoria e compreensão e permaneceram construtivamente engajadas na promoção da paz e da estabilidade”, disse Sharif pelas redes sociais.
Líbano também é beneficiado
O portal de notícias israelense Ynet publicou que o Líbano também fará parte do acordo de cessar-fogo entre Teerã e Washington, alcançado nesta terça-feira. Autoridades definiram que Israel e membros do Hezbollah devem interromper as agressões por duas semanas.
A mídia israelense enalteceu a ação de Paquistão e Turquia na mediação do acordo.
Irã fala em ‘vitória histórica’
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã declarou ter vencido a guerra contra os Estados Unidos depois que Washington aceitou negociar o plano de paz de dez pontos proposto por Teerã.
“O Irã alcançou uma grande vitória e forçou os EUA a aceitar o plano de dez pontos. […] Se a submissão do inimigo no campo de batalha se traduzir em uma conquista política decisiva nas negociações, todos celebraremos essa grande vitória histórica. Caso contrário, continuaremos a luta lado a lado no campo de batalha até que todas as demandas do povo iraniano sejam atendidas. Nossos dedos estão no gatilho e qualquer erro ou, mesmo, uma pequena transgressão do inimigo será respondida com toda a força e firmeza.”
Fonte: Sputniknews / © AP Photo / Alex Brandon