Organização vê impacto temporário, mas conflito amplia pressão sobre economia global e energia
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) revisou para baixo sua projeção de demanda global de petróleo no segundo trimestre de 2026, refletindo os efeitos da guerra envolvendo o Irã e as restrições no fornecimento no Oriente Médio.
Segundo relatório mensal divulgado na segunda-feira (13), a entidade reduziu em 500 mil barris por dia sua estimativa de consumo no período. Com isso, a demanda média global passou a ser projetada em 105,07 milhões de barris por dia, abaixo dos 105,57 milhões previstos anteriormente.
Apesar do ajuste, a OPEP manteve inalterada sua expectativa para o ano cheio, prevendo crescimento de 1,38 milhão de barris por dia em 2026. A avaliação do cartel é que os impactos do conflito tendem a ser transitórios, com recuperação do consumo ao longo dos próximos meses.
“A previsão de crescimento da demanda para o segundo trimestre de 2026 foi revisada para baixo devido a uma leve fraqueza transitória no consumo, em função dos acontecimentos no Oriente Médio”, afirmou a organização.
O conflito no Golfo Pérsico levou ao bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz, principal rota global de transporte de petróleo. A interrupção atingiu a produção de milhões de barris e elevou os preços internacionais da commodity, pressionando custos para empresas e consumidores.
Impacto global e medidas emergenciais
O impacto da guerra já começa a se espalhar pela economia global. O aumento dos custos de energia levou diversos países a anunciar medidas emergenciais para conter os efeitos sobre famílias e empresas, enquanto outros passaram a pedir apoio internacional.
As expectativas de uma retomada rápida do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz foram frustradas após o fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã no fim de semana, o que ampliou a incerteza sobre a duração da crise.
O conflito, considerado o terceiro grande choque recente à economia mundial, após a pandemia e a guerra na Ucrânia, deve dominar as discussões desta semana nas reuniões do Fundo Monetário Internacional, em Washington.
Instituições como o FMI e o Banco Mundial já sinalizam revisões para baixo nas projeções de crescimento global, ao mesmo tempo em que alertam para a alta da inflação, com impacto mais forte sobre países emergentes.
Na Europa, governos começaram a reagir. A Alemanha aprovou um pacote de 1,6 bilhão de euros em cortes de impostos sobre combustíveis. A Suécia anunciou redução de tributos e aumento de subsídios à eletricidade. No Reino Unido, o governo prepara medidas para apoiar empresas diante da disparada dos custos energéticos.
O choque também já altera a atuação de bancos centrais, que avaliam os riscos de um cenário de crescimento fraco combinado com inflação elevada, a chamada estagflação.
Oferta em queda e reação limitada
No lado da oferta, a OPEP+ registrou forte queda na produção em março, para 35,06 milhões de barris por dia, uma redução de 7,7 milhões em relação a fevereiro, com cortes liderados por Iraque e Arábia Saudita.
Mesmo assim, o grupo decidiu elevar formalmente suas cotas de produção em 206 mil barris por dia a partir de maio. Na prática, porém, o aumento tende a ser limitado enquanto persistirem os entraves logísticos no Estreito de Ormuz.
A OPEP mantém uma visão mais otimista do que outras instituições, como a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos, que revisou suas projeções para baixo diante da escalada do conflito.
Fonte: Money Report