Desenrola 2.0: a medida eleitoreira que pode virar armadilha

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Especialistas alertam que alívio imediato pode se transformar em incentivo para novas dívidas

O governo Lula prepara o Desenrola 2.0, pacote de medidas para aliviar o peso das dívidas das famílias brasileiras. A proposta prevê uso do FGTS para quitação, renegociação com descontos e substituição por crédito mais barato, o que pode liberar espaço no orçamento e estimular o consumo em meio à desaceleração econômica.

Economistas ouvidos pelo Estadão destacam, porém, que o efeito pode ser passageiro. Ao reduzir o endividamento inicial, o programa abre margem para novas dívidas, prolongando o ciclo de comprometimento da renda. Hoje, segundo dados do Banco Central, quase metade da renda anual das famílias já está comprometida com dívidas, e cerca de 30% do salário mensal vai para bancos em juros e amortizações.

Estudos mostram que, em períodos de alto endividamento, o crescimento da massa salarial tem impacto menor sobre o consumo. Isso explica por que, mesmo com aumento da renda, o consumo ficou estagnado no segundo semestre de 2025. Para o mercado, medidas como a liberação do FGTS e novas linhas de crédito podem atrapalhar o processo de desalavancagem, considerado essencial para a queda dos juros.

Especialistas como Luciano Costa, da Meridian Investment, e Henrique Danyi, do Santander, ressaltam que o alívio imediato pode se transformar em incentivo para novas dívidas. O saldo líquido dependerá do ritmo de corte da Selic e do comportamento das famílias e bancos. O risco é que o estímulo ao consumo acabe reforçando a mesma fragilidade que o programa pretende combater.

Fonte: Money Report

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