Custos com transporte de cargas chegam a 18% do PIB no Brasil

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Os custos logísticos no Brasil consomem entre 15% e 18% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), e seguem como um dos principais fatores de pressão sobre a competitividade das empresas. Esse peso se distribui ao longo de toda a cadeia, influenciando decisões operacionais, estratégias comerciais e o nível de serviço ao cliente.

Engenheiro de produção com MBA executivo e mestrado em Negócios, André Pimenta: “É essencial buscar soluções integradas que otimizem investimentos e operações” – Foto: Sandro Portaluri

No transporte de cargas, a fragmentação do setor e a dificuldade de integração entre sistemas e processos ampliam ineficiências e elevam custos. Para o engenheiro de produção com MBA executivo e mestrado em Negócios, André Pimenta, a digitalização isolada não resolve o problema. “É essencial buscar soluções integradas que otimizem investimentos e operações. Na prática, isso envolve tecnologia combinada com processos bem definidos e parcerias mais estratégicas”, afirma.

Segundo ele, a adoção de ferramentas desconectadas ou iniciativas pontuais não é suficiente para responder à complexidade atual da logística rodoviária. “O que realmente faz uma solução logística funcionar é implementar um ecossistema integrado e otimizado”, diz.

Entre os principais vetores de ganho de eficiência estão a integração de sistemas de gestão, como ERP e TMS, que permitem automatizar processos, melhorar o controle de estoques e otimizar rotas. O uso estruturado de dados também tem ampliado a capacidade de planejamento operacional. Sistemas de roteirização inteligente, baseados em geolocalização e análise de variáveis como trânsito, janelas de entrega e restrições urbanas, permitem reduzir custos e aumentar a previsibilidade das operações.

Outro ponto destacado é a consolidação de parcerias regionais. Esse modelo permite adaptar a operação às especificidades locais, ampliando a capilaridade e a agilidade nas entregas. “Colaborar com operadores regionais garante mais flexibilidade e assertividade, além de permitir uma expansão mais estruturada”, afirma Pimenta.

A centralização da gestão financeira também aparece como elemento relevante para o equilíbrio da operação. Ao concentrar controles e oferecer suporte aos parceiros, as empresas reduzem burocracias e aumentam a segurança fiscal e operacional, fator que impacta diretamente o nível de serviço.

Na avaliação do especialista, a digitalização já deixou de ser uma tendência e passou a ser requisito básico para organização e eficiência. A eliminação de retrabalhos, a centralização de informações e o aumento da previsibilidade operacional contribuem para melhorar a experiência tanto de motoristas quanto de clientes finais.

Com margens pressionadas e custos elevados, o setor de transporte de cargas tende a depender cada vez mais de soluções integradas para sustentar ganhos de eficiência. A combinação entre tecnologia, gestão e articulação entre os elos da cadeia define o ritmo de adaptação em um ambiente operacional mais complexo e exigente.

Fonte: O Presente Rural / Foto: Freepik

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