Governo quer transformar reserva de terras raras em polo industrial

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Em Paris, ministro da Fazenda diz que país precisa “fugir da lógica histórica” de exportar só minério bruto e mira capital estrangeiro com exigência de emprego e tecnologia no Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou em Paris que o governo brasileiro está empenhado em usar a enorme reserva nacional de terras raras como alavanca para industrialização, e não apenas para exportação de minério bruto. Segundo ele, a diretriz é “fugir da lógica histórica” e colocar o país como produtor de componentes e tecnologias ligados a minerais críticos, considerados estratégicos para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética.

Durigan disse que pretende defender, nas reuniões do G7, que investimentos estrangeiros em terras raras sejam feitos dentro do Brasil, com contrapartidas claras. Em troca do capital francês, alemão e norte-americano, o governo quer geração de empregos locais e compartilhamento de tecnologia com universidades e centros de pesquisa brasileiros.

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, o país detém cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, o equivalente a aproximadamente 23% das reservas globais, o que coloca o Brasil como a segunda maior reserva do mundo. O avanço da demanda mundial por esses minerais, usados em baterias, ímãs permanentes, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos, elevou a disputa geopolítica pelo insumo e abre espaço para uma agenda de reindustrialização verde.

Durigan destacou ainda que a estratégia do governo se apoia na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, recentemente aprovada pela Câmara dos Deputados, que prevê incentivos bilionários para projetos de processamento e transformação de terras raras em território nacional.

Paralelamente, o ministro relatou que o Brasil está alinhado a países como Portugal, Espanha e Alemanha na resposta econômica aos impactos da guerra no Oriente Médio, com medidas como subsídios limitados e corte de tributos sobre combustíveis para conter a inflação.

Fonte: Money Report

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