Relatório do BTG Pactual mostra que horários favoráveis dos jogos da seleção, maior número de partidas e tradição de assistir aos jogos em casa devem impulsionar vendas de carnes, snacks e bebidas
A Copa do Mundo de 2026 deve criar um ambiente especialmente favorável para o consumo no Brasil, combinando fatores que historicamente elevam as vendas no varejo com um calendário considerado estratégico para estimular encontros e compras antes das partidas. Segundo relatório divulgado na segunda-feira (18) pelo BTG Pactual, os horários dos jogos da seleção brasileira tendem a potencializar ainda mais o chamado “efeito jogo”, fenômeno que aumenta fluxo de consumidores, ticket médio e demanda por categorias ligadas ao consumo social.
O estudo, produzido com dados da Scanntech, mostra que partidas disputadas no período da noite favorecem reuniões em casa e ampliam o consumo de itens compartilháveis. Na edição deste ano, cerca de 43% dos jogos acontecerão entre 19h e 23h, faixa considerada ideal para encontros entre amigos e familiares. Além disso, a abertura do torneio em um sábado e a concentração de partidas em finais de semana devem reforçar o movimento no varejo, já que os consumidores costumam antecipar compras para evitar ir às lojas durante os jogos.
Os dados mostram que o pico de consumo acontece antes das partidas. O fluxo em supermercados e pontos de venda cresce 6,7% na véspera dos jogos, enquanto o número de transações sobe 19,1% nas duas horas anteriores ao início das partidas. Em grandes torneios como a Copa do Mundo, esse movimento fica ainda mais intenso, com alta de até 69,2% nas compras pré-jogo. Em contrapartida, durante os jogos, o fluxo despenca, refletindo a paralisação temporária da rotina de consumo do país.
Entre as categorias mais beneficiadas estão carnes, snacks e bebidas, itens diretamente ligados ao consumo coletivo e às confraternizações. O relatório aponta potencial de crescimento expressivo em produtos como churrasqueiras portáteis, pipoca de micro-ondas e amendoim salgado, além do avanço de bebidas premium e versões sem açúcar.
O comportamento também mostra uma mudança na composição das compras: consumidores deixam de priorizar itens do dia a dia para apostar em produtos associados à indulgência, conveniência e socialização.
Mesmo em um cenário de juros elevados e incertezas econômicas globais, o BTG Pactual avalia que a combinação entre renda real mais forte, calendário favorável e apelo emocional do futebol deve transformar a Copa do Mundo em um impulso temporário relevante para o varejo brasileiro. Para o banco, a competição tende a beneficiar especialmente supermercados, atacarejos e marcas expostas ao consumo dentro de casa – reforçando que, quando a seleção entra em campo, o consumo também joga em ritmo acelerado.
Fonte: Money Report