Comércio, logística e serviços lideram demanda por contratações entre abril e junho, enquanto empresas tentam evitar riscos trabalhistas
O mercado de trabalho temporário deve movimentar cerca de 600 mil contratos entre abril e junho deste ano, impulsionado por datas sazonais do varejo e pela realização da Copa do Mundo. A projeção é da Asserttem, que prevê estabilidade no volume de admissões em relação ao mesmo período de 2025.
O calendário comercial, que reúne datas como Dia das Mães e Dia dos Namorados, deve sustentar a demanda principalmente nos setores de comércio, logística, e-commerce, vestuário e serviços. A expectativa do setor é de aumento das contratações voltadas à reposição de estoques, atendimento ao consumidor e reforço operacional em períodos de pico.
Segundo a entidade, a indústria deve concentrar cerca de 40% das vagas temporárias previstas no trimestre, seguida pelos setores de serviços (30%), comércio (25%) e outros segmentos (5%).
O avanço das admissões ocorre em um momento em que empresas buscam maior flexibilidade operacional diante de um ambiente ainda marcado por cautela econômica e pressão sobre custos. Ao mesmo tempo, especialistas apontam crescimento das dúvidas relacionadas ao uso correto do trabalho temporário e da terceirização.
Na avaliação de Vânia Montenegro, vice-presidente da Employer Recursos Humanos, o aumento da velocidade nas contratações ampliou os riscos de enquadramentos inadequados.
“O trabalho temporário tem papel importante na operação das empresas, especialmente em momentos de maior demanda. Mas é fundamental respeitar os limites da legislação para evitar riscos”, afirma.
Segundo ela, a busca por agilidade tem exigido maior preparo das áreas de Recursos Humanos. “A necessidade de rapidez nas contratações aumentou, mas isso não reduz a responsabilidade sobre a escolha do modelo adequado”, diz.
Em meio ao crescimento da modalidade, a Employer lançou uma cartilha com orientações práticas sobre trabalho temporário e terceirização, reunindo informações sobre critérios legais, formas de contratação e exemplos de aplicação.
Dados da Asserttem também mostram que cerca de 20% dos profissionais contratados temporariamente acabam efetivados pelas empresas, o que reforça o papel da modalidade como porta de entrada para o mercado formal de trabalho.
No primeiro trimestre, o setor já havia registrado cerca de 800 mil contratos temporários, volume semelhante ao observado no mesmo período do ano passado. A recuperação das admissões ocorreu principalmente a partir de março, após um início de ano mais lento influenciado pelo calendário de Carnaval.
Fonte: Money Report