Brasil pode perder até US$ 2 bilhões por ano com barreira sanitária da União Europeia

economia

Bloco europeu retirou o país da lista de exportadores autorizados após questionar garantias sobre controle de antimicrobianos e rastreabilidade da cadeia bovina brasileira.

A decisão da União Europeia de deixar o Brasil fora da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco voltou a colocar em evidência os desafios sanitários e de rastreabilidade da cadeia bovina brasileira. A medida foi justificada pela alegação de que o país não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

O tema ganhou peso no setor porque o mercado europeu é considerado estratégico para a carne bovina brasileira. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a União Europeia é atualmente o segundo principal destino da carne bovina do Brasil, atrás apenas da China. A estimativa do setor é que a restrição possa representar perdas próximas de US$ 2 bilhões por ano em exportações de carnes.

Além do impacto econômico, a decisão amplia a pressão sobre sistemas de rastreabilidade e monitoramento sanitário da produção pecuária nacional. A discussão envolve a capacidade de identificar toda a trajetória do animal, desde a propriedade de origem até o frigorífico, além do controle sobre medicamentos veterinários utilizados ao longo do ciclo produtivo.

Foto: Shutterstock

A rastreabilidade tem sido tratada por especialistas e pelo mercado internacional como um dos principais instrumentos para garantir segurança sanitária, transparência comercial e conformidade ambiental. No caso europeu, as exigências incluem não apenas critérios sanitários, mas também regras relacionadas à sustentabilidade e à origem dos produtos.

O debate também expõe diferenças regulatórias entre mercados importadores e reforça o uso de barreiras técnicas como ferramenta de pressão comercial. Embora a União Europeia represente parcela menor do volume exportado pelo Brasil em comparação à China, o mercado europeu possui elevado valor agregado e costuma influenciar padrões exigidos por outros compradores internacionais.

Nos bastidores do setor, a avaliação é que a decisão europeia pode acelerar investimentos em monitoramento da cadeia bovina, integração de dados sanitários e sistemas digitais de certificação de origem. A adoção de protocolos mais rigorosos tende a ganhar espaço tanto para atender exigências internacionais quanto para preservar competitividade no comércio global de carnes.

Uso de antimicrobianos

Foto: Shutterstock

A exclusão do Brasil da lista europeia também ocorre em um momento de maior atenção internacional sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Organismos internacionais e mercados importadores têm ampliado a cobrança por programas de uso racional de antibióticos, diante da preocupação com resistência antimicrobiana e segurança alimentar.

O governo brasileiro e entidades do setor defendem que o país possui sistemas oficiais de fiscalização e controle sanitário reconhecidos internacionalmente. Ainda assim, a disputa com a União Europeia evidencia que, além da produção em escala, o mercado internacional exige cada vez mais comprovação documental, transparência e capacidade de monitoramento contínuo da cadeia produtiva.

Fonte: O Presente Rural

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *