Favorecimento em contratações, conflitos de interesse, prescrições indevidas e fraudes em licitações estão entre os episódios mais citados
Dois em cada três brasileiros acreditam que a corrupção na saúde é alta. Essa é a principal conclusão do estudo “Indicadores de Percepção da Corrupção no Setor da Saúde 2026”, realizado pelo FGVEthics da FGV-EAESP em parceria com o Instituto Ética Saúde. A pesquisa mostra que 66,8% dos entrevistados classificam a corrupção como elevada e outros 21,5% como moderada, revelando que quase 90% enxergam o problema como relevante no sistema de saúde.

A percepção negativa atinge tanto o setor público quanto o privado. Nas instituições públicas, 92,5% afirmam perceber corrupção, enquanto no privado o índice chega a 88,4%. O levantamento ouviu mais de mil participantes de diferentes áreas, incluindo médicos, enfermeiros, gestores, auditores, advogados e usuários do sistema.
Regionalmente, os maiores índices de percepção de corrupção foram registrados no Nordeste (71,4%) e no Norte (71%). No setor público, o Nordeste lidera com 97,6% dos respondentes apontando corrupção, seguido por Norte, Sudeste e Sul. No privado, o Sudeste aparece com 90,9%, mas todas as regiões mantêm índices elevados.
O estudo também revela diferenças geracionais: quanto maior a idade, maior a percepção de corrupção. Entre jovens de 18 a 24 anos, 48,1% classificaram o problema como alto, enquanto entre pessoas acima de 55 anos esse percentual ultrapassa 70%. Profissionais ligados a planos de saúde, hospitais e auditorias estão entre os que mais percebem práticas irregulares, com destaque para os planos, onde 100% dos respondentes afirmaram identificar corrupção.
Além da percepção, 63,6% dos participantes relataram já ter testemunhado ou ouvido relatos de corrupção, incluindo favorecimento em contratações, conflitos de interesse, prescrições indevidas e fraudes em licitações. O medo de retaliação aparece como barreira para denúncias, reforçando a vulnerabilidade institucional.
Os impactos sobre os pacientes também foram destacados: desperdício de recursos, aumento de custos, piora na qualidade assistencial e atrasos em tratamentos. Para os pesquisadores, os resultados evidenciam que a corrupção é sistêmica e exige maior investimento em mecanismos de integridade, compliance e transparência em toda a cadeia da saúde.
Fonte: Money Report