Alagoinhas amplia parque industrial e consolida posição como polo econômico do interior da Bahia

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Alagoinhas consolidou-se como um dos principais polos industriais do interior da Bahia ao combinar localização estratégicaabundância hídrica, incentivos fiscais, qualificação profissional e expansão da infraestrutura produtiva. Nesta quinta-feira (28/05/2026), o município aparece como exemplo do movimento de interiorização econômica apontado pelo estudo Desconcentração Produtiva e Interiorização, do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), que identifica perda de participação relativa da Região Metropolitana de Salvador no PIB estadual e fortalecimento de polos produtivos fora da capital.

Interiorização produtiva fortalece economia de Alagoinhas

Conhecida nacionalmente como “capital da cerveja”, Alagoinhas vem diversificando sua base econômica para além do setor de bebidas. O município reúne operações industriais ligadas aos segmentos de bebidas, saúde, construção civil, petróleo e gás, logística e serviços, em um processo associado à ampliação da presença de empresas no interior baiano.

De acordo com o levantamento citado no material-base, a participação da Região Metropolitana de Salvador (RMS) no Produto Interno Bruto da Bahia caiu de 48,3% em 2009 para 39,4% em 2021. No mesmo período, regiões do interior passaram a registrar crescimento acima da média estadual, impulsionadas por atividades como agronegócio, logística, construção civil, energias renováveis e atração de novas indústrias.

Com cerca de 151 mil habitantes, Alagoinhas possui aproximadamente 2.601 empresas formais e mais de 6,8 mil empregos industriais. O setor industrial representa 31,34% do PIB municipal, estimado em R$ 5,7 bilhões, o que coloca o município como a 14ª maior economia da Bahia, conforme os dados apresentados.

Município prepara nova etapa de expansão industrial

A cidade abriga um dos principais centros industriais listados pela Investe Bahia e prepara uma nova fase de crescimento. A Prefeitura definiu duas áreas que somam cerca de 1,7 milhão de metros quadrados para ampliação do parque industrial, localizadas às margens das BRs 110 e 101, nas regiões de Narandiba e Boa União.

Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Emprego (SDEE), a expectativa é que o novo parque industrial entre em operação até dezembro deste ano. O material-base, no entanto, não detalha o cronograma de obras, o modelo de gestão da área nem a lista de empresas já confirmadas para instalação no novo complexo.

Para ampliar a atração de empreendimentos, o município tem adotado incentivos fiscais, incluindo redução de até 50% nas alíquotas de ISS e IPTU. A política local busca tornar Alagoinhas mais competitiva diante de outros polos industriais da Bahia e do Nordeste.

Setor de bebidas segue como eixo histórico da vocação industrial

A vocação industrial de Alagoinhas ganhou força principalmente com o setor de bebidas, favorecido pela qualidade da água subterrânea disponível no município. Grandes grupos mantêm e ampliam operações na cidade, entre eles a Indústria São Miguel (ISM) e o Grupo Petrópolis.

Gerente industrial da ISM em Alagoinhas, o peruano Richard Coronado afirmou que a qualidade da água foi decisiva para a implantação da fábrica na cidade, em 2012.

Essa é a melhor água com que já trabalhei em todas as fábricas do grupo. Ela é captada do subsolo e vai diretamente para as garrafas, sem necessidade de tratamento prévio”, declarou.

Segundo Coronado, a qualidade da água reduz custos operacionais, sobretudo por diminuir a necessidade de tratamento químico. A unidade produz atualmente entre 15 milhões e 16 milhões de litros de bebidas por mês e opera com três linhas de produção. Uma quarta linha está em instalação e deverá ampliar a capacidade em até 5 milhões de litros mensais.

A fábrica produz refrigerantes, energéticos, sucos e água mineral em embalagens plásticas e abastece mercados como Salvador, Feira de Santana, Juazeiro, Maceió e Ilhéus. A operação funciona 24 horas por dia, durante os sete dias da semana, e emprega 317 trabalhadores diretos e indiretos na área industrial. Considerando as áreas comercial, de distribuição e demais operações, a empresa totaliza 701 colaboradores diretos.

Qualificação profissional é desafio para expansão das fábricas

Apesar da ampliação produtiva, a ISM aponta obstáculos relacionados à qualificação da mão de obra e à alta rotatividade de funcionários. Parte dos novos operadores contratados para a expansão da unidade foi capacitada por meio de parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

A demanda por formação técnica aparece como um dos pontos centrais da nova etapa de industrialização de Alagoinhas. À medida que empresas mais especializadas se instalam ou ampliam operações no município, aumenta a necessidade de trabalhadores preparados para funções industriais, manutenção, logística, segurança do trabalho e operação de máquinas.

Petróleo e gás criam novo nicho industrial no município

Outro setor que vem ganhando espaço na economia local é o de petróleo e gás. Instalada em Alagoinhas desde 2015, a Nova Coating atua em um segmento especializado: revestimentos anticorrosivos para tubos utilizados na extração de petróleo.

O engenheiro de Produção e gestor de projetos da empresa, Leandro Faleta, explicou que a operação atende praticamente todas as operadoras petrolíferas do país, incluindo a Petrobras.

Os tubos utilizados nos poços de petróleo chegam a profundidades entre mil e três mil metros. O petróleo bruto possui uma composição extremamente agressiva, que provoca corrosão acelerada no aço carbono. Nosso trabalho é aplicar revestimentos que aumentam a vida útil desses equipamentos”, afirmou.

Segundo Faleta, um tubo sem revestimento pode durar apenas seis meses em determinados poços. Com o tratamento realizado pela empresa, a durabilidade pode chegar a três anos, reduzindo custos operacionais para as petroleiras.

A planta de Alagoinhas recebe tubos de diversos estados para beneficiamento e redistribuição. A empresa possui cerca de 45 funcionários fixos e filiais em Sergipe e São Sebastião do Passé. Para o gestor, a escolha por Alagoinhas teve relação direta com fatores logísticos e estruturais.

Aqui conseguimos atender melhor toda a operação do Nordeste. Estamos próximos dos campos de petróleo da Bahia e também temos uma rede de fornecedores, hotelaria, serviços e infraestrutura que facilitam a operação industrial”, disse.

Construção civil impulsiona indústria cerâmica

O crescimento do setor imobiliário e da construção civil também movimenta a base industrial do município. A Cerâmica Santana, instalada em Alagoinhas desde 2004, é um dos exemplos dessa cadeia produtiva.

O administrador da empresa, Leonardo Alves, afirmou que a escolha pela cidade ocorreu após estudos que identificaram a qualidade da argila da região e a posição estratégica para distribuição.

Nós conseguimos atender Salvador, Feira de Santana, o Recôncavo, parte do sul da Bahia e a região norte do estado com facilidade logística”, afirmou.

A empresa emprega atualmente cerca de 120 funcionários e produz aproximadamente 1,7 milhão de peças por mês. Uma segunda unidade, hoje desativada, passa por manutenção e deve retomar as operações até o início do próximo ano, elevando a capacidade produtiva para cerca de 2 milhões de peças mensais.

Leonardo Alves avalia que o crescimento econômico de Alagoinhas já pode ser observado na rotina urbana.

Você vê muitos caminhões circulando, o comércio evoluindo, novos serviços surgindo. É uma cidade efervescente e que tem muito potencial de crescimento”, disse.

O empresário, contudo, aponta gargalos de infraestrutura rodoviária, especialmente a necessidade de melhorias no trecho entre Feira de Santana e Alagoinhas e na manutenção das estradas regionais.

Infraestrutura e localização reforçam vantagem competitiva

A localização geográfica é apontada como um dos principais diferenciais de Alagoinhas. Cortado por rodovias federais importantes e próximo de centros como SalvadorFeira de Santana e o Recôncavo Baiano, o município passou a ocupar posição estratégica para distribuição de mercadorias e atendimento industrial.

A combinação entre acesso rodoviário, disponibilidade de água, rede de serviços, fornecedores locais e expansão do ensino técnico fortalece o ambiente produtivo. O município conta atualmente com sete escolas técnicas e sete instituições de ensino superior, incluindo cursos nas áreas de Direito e saúde.

Esse conjunto de fatores contribui para ampliar a capacidade de atração de empresas, embora o material-base indique que a infraestrutura viária ainda permanece como ponto de atenção para a consolidação do crescimento industrial.

Sistema FIEB apoia qualificação e competitividade industrial

O avanço industrial de Alagoinhas conta com apoio das entidades do Sistema FIEB, por meio de ações voltadas à qualificação profissional, inovação, saúde e segurança do trabalho e fortalecimento da competitividade empresarial.

Na avaliação da gerente de Relações Institucionais da FIEB na Regional Nordeste, Renata da Purificação Pinto, o fortalecimento do parque industrial local está associado ao apoio estruturado às empresas.

O Sistema FIEB tem atuado de forma integrada junto às indústrias da região, oferecendo soluções em saúde e segurança do trabalho, qualificação profissional, serviços de tecnologia e inovação, além de iniciativas de inserção e desenvolvimento de talentos para o mercado de trabalho”, afirmou.

Segundo Renata, as ações também contemplam competências alinhadas às demandas produtivas.

Por meio das entidades que compõem o Sistema, contribuímos tanto para a formação de mão de obra qualificada quanto para a melhoria das condições de trabalho e o aumento da competitividade das empresas, fortalecendo o ambiente industrial e impulsionando o desenvolvimento regional”, acrescentou.

SENAI e SESI atuam junto às empresas locais

Empresas instaladas no município destacam a parceria com o SENAI Bahia na formação de mão de obra especializada. A ISM capacitou profissionais para atuar na nova linha de produção por meio de cursos realizados em parceria com a instituição.

A Nova Coating também mantém cooperação com o SENAI Alagoinhas em programas de aprendizagem industrial, estágios e cursos técnicos voltados à qualificação de trabalhadores da área industrial e de manutenção.

Além da formação profissional, as empresas citam o suporte do SESI em iniciativas de saúde ocupacional e qualidade de vida. A Cerâmica Santana realizou, em parceria com o Sistema FIEB, campanha de vacinação contra a gripe para colaboradores da unidade. Também foram mencionadas ações de segurança do trabalho, palestras, SIPATs e capacitações internas.

Observatório da Indústria da FIEB contribui com estudos econômicos e levantamento de dados estratégicos sobre o desenvolvimento regional, auxiliando empresas e gestores públicos na formulação de políticas de expansão industrial e atração de investimentos.

Fonte: Jornal Grande Bahia

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