Percentual reforça a pressão sobre o governo para aprovar a renegociação das dívidas agropecuárias.
O aumento da inadimplência entre produtores rurais tem reforçado a pressão sobre o Congresso Nacional para aprovar mecanismos de renegociação de dívidas agrícolas. Dados da Serasa Experian mostram que a taxa de inadimplência da população rural encerrou 2025 em 8,2%, acima dos 7,2% registrados um ano antes, sinalizando o agravamento das dificuldades financeiras enfrentadas por parte do setor.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
O cenário ocorre em meio à tramitação do Projeto de Lei 5.122/2023, que cria instrumentos para renegociar passivos rurais. A proposta avançou recentemente na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, mas enfrenta resistência do governo federal, que defende critérios mais rígidos para acesso às linhas de refinanciamento.
O principal ponto de divergência envolve a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar a operação. Nas negociações conduzidas entre o governo e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), não houve consenso sobre as exigências para adesão ao programa.
O Executivo defendia que os produtores apresentassem uma entrada entre 10% e 20% do valor renegociado, além de taxas de juros variando de 6% a 12% ao ano. A bancada ruralista rejeitou as duas condições. O texto aprovado pela CAE eliminou a exigência de pagamento inicial e estabeleceu juros entre 3,5% e 7,5%.
Após a votação, integrantes da FPA passaram a demonstrar preocupação com uma possível reação do governo. Entre

Presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion: “Vamos trabalhar pela votação no Senado e, depois, pela aprovação na Câmara do texto aprovado aqui, para que possamos dar um alento e uma solução ao endividamento dos nossos produtores” – Foto: Divulgação/FPA
as alternativas discutidas nos bastidores estão a edição de uma medida provisória com regras próprias para renegociação ou até mesmo o veto presidencial ao projeto caso ele seja aprovado pelo Congresso. “Estamos alertando aqui hoje que não aceitaremos, de maneira alguma, que isso seja desqualificado ou desmontado. Vamos trabalhar pela votação no Senado e, depois, pela aprovação na Câmara do texto aprovado aqui, para que possamos dar um alento e uma solução ao endividamento dos nossos produtores”, afirmou o presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion, após a aprovação da matéria na comissão.
Arrendatários lideram índices de inadimplência
O levantamento da Serasa Experian considera débitos vencidos há mais de 180 dias junto a empresas ligadas à cadeia do agronegócio, como instituições financeiras, seguradoras, transportadoras e fornecedores de serviços. A maior parte das dívidas em atraso continua concentrada no sistema financeiro.

Foto: Jonathan Campos
Entre os diferentes perfis de produtores, os arrendatários apresentam a situação mais delicada. A taxa de inadimplência desse grupo alcançou 9,9%.
Na sequência aparecem os grandes produtores, com índice de 9,8%, seguidos pelos médios produtores, com 8,3%, e pelos pequenos produtores, com 7,8%.
Os números indicam que o aumento das dificuldades financeiras não está restrito a uma única faixa de produtores, atingindo propriedades de diferentes portes e modelos de produção.
Crédito rural direcionado
Os sinais de deterioração também aparecem nos dados do crédito rural monitorados pelo Banco Central.
Em abril deste ano, a inadimplência das operações financiadas com recursos direcionados atingiu 7,4%, o segundo

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
maior percentual desde o início da série histórica, em 2011. O indicador fica atrás apenas dos níveis observados durante períodos anteriores de maior estresse financeiro no setor.
Nas operações contratadas com taxas de mercado, modalidade que segue regras do Conselho Monetário Nacional, mas permite juros livres, a inadimplência chegou a 13,3%.
Já nas linhas com taxas reguladas, tradicionalmente associadas aos programas oficiais de crédito rural, o índice permaneceu significativamente menor, em 3,1%.
O avanço simultâneo da inadimplência entre produtores e nas diferentes modalidades de crédito reforça o ambiente de pressão sobre o governo e o Congresso. O debate sobre a renegociação das dívidas rurais ocorre justamente em um momento em que parte dos produtores ainda enfrenta os efeitos acumulados de eventos climáticos extremos, oscilações de preços e aumento dos custos financeiros nos últimos ciclos agrícolas.
Fonte: O Presente Rural / Foto: Geraldo Bubniak