Após União Europeia, Mercosul se volta para Ásia com início de negociações com Japão

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‘Queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos’, afirma Lula. Caminham negociações com Vietnã, Índia, Emirados Árabes e Canadá; Reino Unido e Canadá também têm interesse

Encaminhado o acordo com a União Europeia, em vigor desde maio, o Mercosul agora se volta para o mercado asiático, e o início das negociações com o Japão, anunciado oficialmente é o principal carro-chefe dessa tendência.

Para Santiago Peña, anfitrião da cúpula do Mercosul que ocorre nesta semana no Paraguai, a possível parceria com o país asiático é “um passo histórico que abre as portas para uma das economias mais fortes do mundo”.

“Os japoneses são bons amigos e um dos melhores aliados que podemos ter em nosso bloco”, afirmou o paraguaio no discurso de abertura da reunião dos líderes. Estão presentes também Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador), além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o segundo a falar.

“Nesta Cúpula, daremos mais um passo ao lançar as negociações de uma parceria econômica com o Japão. Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta”, afirmou o petista.

A síntese das discussões em andamento, divulgada nesta terça, afirma que “diante de circunstâncias internacionais instáveis”, Japão e Mercosul “cooperarão para garantir a segurança econômica e alimentar, incluindo a diversificação das cadeias de suprimento de setores estratégicos, a exemplo de minerais críticos, energia, tecnologia e agronegócio” e reforçar “uma ordem internacional baseada em regras, livre e justa”.

As “circunstâncias internacionais instáveis” incluem as diversas guerras em andamento, que impõem desafios ao comércio global, e a declaração sobre uma ordem internacional “baseada em regras” ocorre no momento em que diversos países, incluindo o Brasil, enfrentam taxas dos Estados Unidos.

A mais recente ameaça ocorreu no início do mês, quando o governo de Donald Trump propôs novo tarifaço de 25% sobre bens importados do país após uma investigação concluir que o Brasil praticaria práticas comerciais injustas.

O início do acordo com Tóquio foi divulgado neste mês, após após uma reunião entre Lula e primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, às margens da cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. No entanto, o anúncio oficial, ao menos para o Mercosul, foi guardado para a reunião no Paraguai.

Além do Japão, o bloco se prepara para a primeira rodada de um acordo de preferências tarifárias com o Vietnã e tenta aprofundar uma parceria, atualmente vista como muito restrito, com a Índia. Há ainda um tratado de livre comércio em fase final com os Emirados Árabes Unidos.

Recentemente, entrou em vigor o acordo de livre comércio entre Mercosul e Singapura, assinado em 2023 no Rio de Janeiro. Diante desse cenário, há a expectativa de que a negociação com a Coreia do Sul seja retomada após cinco anos paralisada -em fevereiro, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, afirmou que pretendia resgatar as conversas após reunião bilateral com Lula em Seul.

Fora da Ásia, o Reino Unido manifestou interesse em firmar uma parceria comercial com o Mercosul, segundo o Itamaraty afirmou na semana passada. A ideia é que as negociações não comecem do zero, já que Londres participou das conversas do acordo do bloco sul americano com o europeu até sair da UE, em 2020. Outra perspectiva no horizonte é a fase final de um acordo de livre comércio com o Canadá.

Apesar dos diversos anúncios, a entrada em vigor dos acordos citados pode demorar anos. No caso do bloco europeu, as negociações levaram 26 anos.

Fonte: Notícias ao Minuto / Foto: © Shutterstock



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