O Brasil entrou na fase em que os efeitos do Super El Niño começam a ser sentidos de forma mais intensa. Na zona rural de Feira de Santana, o fenômeno já alterou o clima e a expectativa é de que o seu pico ocorra entre os meses de setembro e outubro. Diante da situação, os agricultores já estão sendo orientados a adotarem medidas com o objetivo de minimizar os efeitos, que colocam em risco a produção agrícola.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações na circulação atmosférica em diversas partes do planeta. No Nordeste brasileiro, os efeitos costumam ser percebidos principalmente pela redução das precipitações e pela intensificação das ondas de calor, especialmente durante o período chuvoso da região, que se concentra entre o final do ano e os primeiros meses do ano seguinte.
Naiara Célida dos Santos de Souza docente do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e integrante da equipe técnica do Centro de Agroecologia Rio Seco (Cearis), unidade extra-campus localizada em Amélia Rodrigues, esteve ministrando palestra durante a Feira de Agricultura Familiar, na semana passada, com o objetivo de deixar a comunidade agrícola a par dos acontecimentos e os desdobramentos que o fenômeno já está causando na zona rural de Feira de Santana.
De acordo com a professora Naiara, as mudanças climáticas já começaram a ser observadas há quase 90 dias. “A primeira questão é a irregularidade de chuvas na região, aliada a longa estiagem, aumento das temperaturas e isso deve comprometer a produção de alimentos e aumentar a vulnerabilidade das famílias agricultoras que dependem diretamente dos recursos naturais para produzir e viver no campo”, explicou.
A previsão, segundo Naiara Souza é que na região de Feira de Santana, o El Niño atinja o seu ápice entre os meses de setembro e outubro. “Nesse sentido, precisamos acelerar as soluções para buscar reduzir os impactos. Outra situação que preocupa é o intervalo de tempo entre os fenômenos: normalmente eram de 10 em 10 anos, mas agora esse tempo reduziu. O último foi em 2024 e agora volta e deve ter impacto direto na produção de grãos”, informou.
ESTRATÉGIAS
Diante desse cenário, especialistas defendem que fortalecer as estratégias de convivência com o Semiárido é o caminho para reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos. “Nós trabalhamos constantemente com a gestão da água, o fortalecimento dos bancos de sementes crioulas, a diversificação produtiva e práticas que aumentam a capacidade de adaptação das famílias agricultoras”, explica Naiara Souza.
Para a professora, essas ações vão além das soluções técnicas.“As tecnologias sociais, o recaatingamento, as práticas agroecológicas e a educação contextualizada do campo têm demonstrado que é possível ampliar a capacidade de adaptação das comunidades às mudanças climáticas. Mais do que isso, fortalecem a autonomia das famílias, valorizam os saberes locais e contribuem para a permanência das populações em seus territórios com dignidade”, disse Naiara Souza.
Fonte: Jornal Folha do Estado