Grupo liderado pela entidade europeia reitera falta de confiança no dirigente suíço-italiano
A Uefa aumentou a pressão sobre a Fifa após a polêmica tentativa do presidente Gianni Infantino de criar uma empresa para vender ações das competições da entidade máxima. Dessa forma, a confederação europeia divulgou um comunicado nesta segunda-feira (10), em conjunto com a Concacaf e a AFC, criticando o dirigente suíço-italiano.
“A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de reter ou exigir que o poder seja mantido. Trata-se de um dever de servir à família do futebol que deposita sua confiança nessa liderança. Quando essa confiança é quebrada por meio de uma fraude, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado”, diz o comunicado.

Mesmo após recuar da ideia, Gianni Infantino sofreu com críticas e o abalo da credibilidade. Dessa forma, as três confederações ressaltaram a “falta de confiança” no dirigente e alegaram que não houve um reconhecimento da “grave falta de julgamento”. A Uefa também criticou a “reunião de emergência” da Fifa, realizada no Marrocos, sem a presença da maioria dos filiados.
“O futebol é a maior paixão compartilhada do mundo. Não pertence a nenhum indivíduo nem a nenhuma instituição. Ele pertence aos jogadores, aos torcedores, aos clubes, às Associações-Membro e a todas as instituições encarregadas de proteger seu futuro. É nesse espírito, como Confederações que representam seus membros, que hoje nos manifestamos coletivamente”, diz outro trecho.
Entenda a crise envolvendo a Fifa
A turbulência nos bastidores começou quando a Fifa apresentou a criação da Fifa Financial Excellence (FFE), uma empresa que buscaria aportes financeiros privados vendendo até 20% de participação nos torneios da entidade. Porém, a ideia sofreu oposição imediata da Uefa, Concacaf e AFC. As confederações classificaram a iniciativa como uma tentativa de fatiar os direitos da Copa do Mundo.
Diante da repercussão negativa e do risco de boicote por parte das potências europeias, Infantino recuou do projeto. Dessa forma, o dirigente pediu desculpas pela falta de diálogo prévio com as associações. Contudo, a polêmica ao redor do projeto comercial abalou a credibilidade da gestão e alimentou articulações para a próxima eleição presidencial, marcada para março de 2027.
Fonte: Jogada 10 / Aleksander Ceferin (à esq) é o presidente da Uefa e lidera movimento contra Gianni Infantino – Foto: Stu Forster/Getty Images