Por Glauco Faria
A violência doméstica no Brasil responde pelo atendimento de 15 mulheres por dia nos hospitais, em média, muitas vezes com quadros de politraumatismo tão graves que se assemelham a atropelamentos ou acidentes de trânsito. Esse cenário alarmante foi mapeado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que utilizaram inteligência artificial para analisar mais de 90 mil internações no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2008 e 2023. O estudo, publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva e tema de reportagem do jornal Folha de S.Paulo, expõe a urgência de políticas públicas baseadas em evidências.
Ao cruzar grandes volumes de dados, os algoritmos identificaram padrões clínicos que costumam passar despercebidos. O perfil mais comum envolve jovens de 20 a 29 anos operadas às pressas por ferimentos no tórax causados por armas brancas, havendo também lesões típicas de defesa, como traumatismos nas mãos e punhos, indicando a tentativa das vítimas de se protegerem de ataques com objetos cortantes.
Os dados também trazem recortes profundos de vulnerabilidade social, como o de que mulheres pretas e pardas representam 52,9% das vítimas na cidade de São Paulo, uma proporção muito superior à sua presença demográfica. A pesquisa mostra ainda um risco 2,5 vezes maior de gestantes sofrerem violência sexual em comparação com não gestantes. Além disso, o uso de álcool pelos agressores, majoritariamente companheiros ou ex-companheiros, eleva em 32% a prevalência de violência sexual.
Palantir gera crise de confiança no sistema saúde do Reino Unido
A crescente desconfiança pública em relação à Palantir, empresa estadunidense de software especializada em análise de grandes volumes de dados, está ameaçando o futuro da pesquisa médica e o planejamento digital do sistema público de saúde do Reino Unido, o NHS. Em um intervalo de apenas dois meses, entre maio e julho de 2026, cerca de 60 mil pacientes exerceram o direito de bloquear o compartilhamento de suas informações médicas para fins de pesquisa, um movimento que acendeu o alerta no governo britânico.
O centro da polêmica é um contrato de 330 milhões de libras concedido à Big Tech para operar a nova plataforma de dados federados do NHS. Diante da pressão, autoridades avaliam acionar uma cláusula de rescisão para cancelar o acordo de sete anos com a empresa, segundo o The Guardian.
A resistência à Palantir não é infundada. Médicos, grupos de defesa dos pacientes e organizações de direitos digitais, como a Foxglove, criticam o histórico da companhia, conhecida por fornecer tecnologia para as forças militares de Israel e para a agência de imigração dos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump. Declarações do fundador da empresa, Peter Thiel, afirmando que o NHS deixa as pessoas doentes, também alimentam a forte rejeição popular.
• Fumo passivo
Um estudo abrangente publicado na revista Lancet revelou que a exposição ao fumo passivo atingiu 2,71 bilhões de pessoas em 2023 e foi responsável por 1,66 milhão de mortes em todo o mundo. Aumentos expressivos foram registrados em regiões como a África Subsaariana e o Oriente Médio. Confira o estudo
• Recusa de doação de órgãos
A taxa de recusa familiar para doação de órgãos no Brasil chega a 45%, indice frequentemente motivado por falta de preparo das equipes médicas no acolhimento aos parentes. Agora, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira e o Ministério da Saúde estão oferecendo capacitação profissional para mudar o quadro. Saiba mais
• Avanço da dengue em SP
O estado de São Paulo já ultrapassa a marca de 58 mil casos confirmados de dengue em 2026, com 42 mortes registradas e outras 30 em investigação. A Secretaria de Saúde lançou um plano de resposta focado nos impactos climáticos do El Niño, já que o fenômeno tende a agravar a transmissão do vírus. Entenda
• Extrema direita e saúde na Alemanha
O Instituto Econômico Alemão alertou que a política de imigração do partido de extrema direita AfD, vencedor das eleições no estado alemão da Saxônia-Anhalt, podem arruinar o setor de saúde na região, que depende fortemente de trabalhadores estrangeiros. Leia mais
Fonte: Outra Saúde / Crédito: Paulo Pinto / AGPT