Xi chega à cúpula com Trump com motor comercial da China a todo vapor

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Foco principal da reunião de 24 de setembro é se os líderes sinalizarão uma prorrogação da trégua comercial

PEQUIM/WASHINGTON, 21 Set (Reuters) – Nos quatro meses desde o último encontro entre os líderes das duas superpotências globais, Xi Jinping supervisionou um aumento no comércio da China com o mundo, enquanto Donald Trump tem enfrentado dificuldades com a queda nos índices de aprovação em seu país.

Essa reviravolta atenuou as expectativas para a cúpula em Washington nesta semana, segundo analistas, com Xi sem pressa para fazer concessões e Trump limitado por uma guerra onerosa com o Irã que prejudicou tanto sua popularidade quanto o bolso dos norte-americanos.

Embora questões espinhosas como Taiwan possam vir à tona, o foco principal da reunião de 24 de setembro é se os líderes sinalizarão uma prorrogação da trégua comercial firmada no ano passado, que evitou um grande choque na economia global.

“Xi não está realmente buscando nada tangível. Ele quer prorrogar o acordo de cavalheiros com Trump para que a China tenha tempo de se fortalecer”, disse Jon Czin, especialista em política externa da Brookings Institution que já atuou como diretor para a China no Conselho de Segurança Nacional dos EUA.

‘VIVENDO NO MUNDO DE XI’

Autoridades da Casa Branca têm procurado minimizar a possibilidade de grandes avanços. O secretário do Departamento do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, conduziram negociações preparatórias em Nova York no domingo, com o objetivo de preparar o terreno para possíveis acordos sobre limites para a inteligência artificial e o comércio de produtos não sensíveis.

Isso está muito longe da promessa feita por Trump quando voltou ao cargo em 2025 de usar tarifas para lidar com um desequilíbrio comercial com a China que estava “matando” os Estados Unidos.

Mas, desde que firmou a trégua com Xi em outubro daquele ano, sua atenção tem se dividido entre uma série de outros problemas de política externa, desde as guerras no Irã e na Ucrânia até disputas com a Europa sobre a liberdade de expressão.

A China tem enfrentado seus próprios desafios, como a desaceleração da demanda interna e uma crise imobiliária prolongada, mas a máquina de exportações que Trump tentou controlar continua em plena atividade, no que os economistas vêm chamando cada vez mais de “China Shock 2.0”.

O superávit comercial global da China está no caminho de ultrapassar US$1 trilhão pelo segundo ano consecutivo.

Embora os esforços dos EUA para conter as remessas baratas das quais varejistas online como Shein e Temu dependem tenham surtido efeito, mais da metade das cerca de 6.500 categorias de produtos que a China vendeu aos EUA até agora neste ano registrou crescimento em comparação com 2025.

Uma delegação de líderes empresariais chineses, que pode incluir algumas empresas que enfrentam escrutínio regulatório dos EUA enquanto buscam maior acesso ao mercado, deve acompanhar Xi a Washington.

O governo Trump “achava que poderia usar uma pressão unilateral massiva para forçar a China a fazer concessões, e isso não aconteceu”, disse Scott Kennedy, especialista em relações econômicas entre os EUA e a China do think tank CSIS, com sede em Washington.

“Agora este é o mundo de Xi Jinping, e todos nós vivemos nele.”

TAIWAN E VITÓRIAS COMERCIAIS

Se Xi estiver no comando, como sugerem os analistas, isso deixará ainda mais nervosos os aliados dos EUA na Ásia, que esperam que o líder chinês pressione Trump a amenizar o apoio de Washington a Taiwan, a ilha governada democraticamente e reivindicada por Pequim.

Xi perguntou repetidamente a Trump sobre Taiwan quando se encontraram em Pequim em maio, inclusive sobre a venda de armas e a determinação de Washington em defender a ilha, disse Trump aos repórteres.

O presidente dos EUA descreveu um pacote de armas de US$14 bilhões para Taiwan, ainda pendente, como uma “moeda de troca” nas negociações com Pequim.

Algumas autoridades em Taipé e Tóquio temem que ele possa se sentir tentado a trocar esse trunfo por ganhos políticos antes das eleições de meio de mandato de novembro, que podem se revelar desafiadoras para seu Partido Republicano.

Isso poderia incluir compras chinesas de jatos da Boeing ou de produtos agrícolas, ou compromissos para conter o fluxo de precursores químicos do fentanil, que têm alimentado a crise dos opioides nos EUA.

“As relações entre a China e os EUA tornaram-se mais transacionais”, disse Wu Xinbo, professor da Universidade Fudan, em Xangai, que assessora o Ministério das Relações Exteriores da China.

Embora Washington possa querer priorizar as negociações comerciais, para Pequim, a abordagem dos EUA em relação a Taiwan pode ser fundamental, disse ele.

“Se vocês atenderem às nossas preocupações sobre a questão de Taiwan, estaremos dispostos a atender às suas preocupações sobre outras questões, seja na área de aplicação da lei ou na compra de produtos agrícolas dos EUA”, disse Wu.

EXERCENDO PRESSÃO SOBRE O IRÃ

Washington também vê Xi como alguém com capacidade única de exercer pressão sobre o Irã para pôr fim à guerra que arrastou o índice de aprovação de Trump para o nível mais baixo de sua carreira política.

No entanto, Xi tem demonstrado pouca disposição para fazê-lo. A Reuters informou no início deste mês que Pequim está vendendo bilhões de dólares em mercadorias ao Irã por meio de um esquema de evasão de sanções. O Ministério das Relações Exteriores da China afirma não ter conhecimento de tal esquema.

As ameaças dos EUA no mês passado de impor sanções secundárias a países que fazem negócios com o Irã — o que Bessent chamou de “Dia D econômico” — parecem ainda não ter sido aplicadas contra o maior parceiro comercial de Teerã.

Isso é mais uma evidência, dizem os analistas, de que Trump está empenhado em manter as relações com Xi estáveis enquanto concentra suas energias em outras questões — um arranjo que também convém ao líder chinês.

“Tanto Xi quanto Trump consideram bastante útil manter a estabilidade no relacionamento para que possam se concentrar em questões mais urgentes”, disse Ruby Osman, pesquisadora sênior de geopolítica do Instituto Tony Blair para a Mudança Global.

“Para Trump, isso é o Irã. Para Xi, é fortalecer a resiliência interna da China para o que quer que venha depois de Trump.”

(Reportagem de Joe Cash, em Pequim, e de Trevor Hunnicutt e David Brunnstrom, em Washington)

Fonte: Reuters / REUTERS/Evelyn Hockstein


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