Presidente reconheceu que o avanço do endividamento exige atenção e prometeu buscar uma redução da dívida caso seja reeleito. Segundo ele, porém, o volume de reservas internacionais dá ao Brasil uma margem de segurança
Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o crescimento da dívida pública brasileira é motivo de preocupação, mas disse que a situação não lhe causa “pânico” porque o país dispõe de cerca de US$ 370 bilhões em reservas internacionais.
Em entrevista concedida no domingo à Band, Lula reconheceu que o nível de endividamento precisa ser acompanhado e afirmou que, caso seja reeleito, pretende adotar medidas para reduzi-lo.
“Não é bom dever mais do que se recebe”, disse o presidente.
Apesar disso, Lula afirmou que a dívida não lhe “causa pânico” e destacou o volume de reservas internacionais acumulado pelo Brasil, que classificou como um “colchão de segurança”.
Dados do Banco Central mostram que as reservas brasileiras permanecem na casa dos US$ 370 bilhões. Em fevereiro, por exemplo, somavam US$ 371,1 bilhões.
Dívida bruta supera 80% do PIB
A dívida bruta do governo geral chegou a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 10,9 trilhões, em julho de 2026, segundo os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central.
O percentual subiu 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior. Apenas em 2026, o avanço acumulado até julho foi de 3,9 pontos percentuais do PIB.
Lula afirmou que pretende buscar uma redução do endividamento sem cortar programas sociais e outras despesas que considera essenciais.
“Vamos reduzir essa dívida pública, mas conscientes de que há despesas necessárias. Vamos continuar ajudando os mais pobres, vamos continuar aumentando o salário mínimo acima da inflação e vamos continuar reajustando as despesas que precisam ser reajustadas”, declarou.
Lula prevê superávit primário
Na entrevista, o presidente afirmou que espera encerrar 2026 com um superávit primário equivalente a 0,1% do PIB.
O resultado primário considera a diferença entre receitas e despesas do setor público, sem incluir os gastos com juros da dívida.
Quando os juros são considerados, o cenário é diferente. Nos 12 meses encerrados em julho, o setor público acumulou déficit nominal de R$ 1,24 trilhão, equivalente a 9,34% do PIB, segundo o Banco Central. Desse total, os juros nominais corresponderam a 8,67% do PIB.
“Tenho um compromisso com as contas públicas. Fui o único presidente deste país e o único do G20 que conseguiu obter um superávit primário nos meus oito anos [relativos aos dois primeiros mandatos], mas assumi [em 2023] um país falido, com a máquina estatal podre e desmontada, e tivemos de reconstruí-lo”, afirmou Lula.
A caracterização da situação herdada em 2023 é uma avaliação do próprio presidente.
Crescimento e juros
Lula também defendeu que uma das maneiras de reduzir o peso da dívida em relação ao PIB é fazer a economia crescer mais.
O governo reduziu recentemente sua estimativa de crescimento da economia brasileira em 2026 de 2,3% para 2%, diante de uma desaceleração maior do que a esperada nos setores de serviços e indústria.
O presidente voltou a defender a continuidade da redução dos juros pelo Banco Central.
Na reunião de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. O Banco Central afirmou que a economia apresenta uma “moderação gradual” da atividade, embora o mercado de trabalho continue aquecido e as expectativas de inflação permaneçam acima da meta.
Eleições de outubro
As declarações ocorrem na reta final da campanha presidencial. Lula disputa a reeleição, e pesquisas recentes mostram uma corrida apertada contra o senador Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno.
Levantamentos divulgados na última semana apontaram diferenças de apenas um ponto percentual entre os dois em cenários de segundo turno, dentro das respectivas margens de erro.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.
Fonte: Notícias ao Minuto / Foto: © Lusa