Flávio desconversou e não respondeu
19/10/2026
No trecho final do debate presidencial do segundo turno, promovido pela Band neste domingo (18), Lula cobrou de Flávio Bolsonaro que ambos autorizem a abertura de seus sigilos bancário e telefônico. O presidente afirmou que pretende insistir na proposta até o próximo confronto entre os candidatos.
“Resolvi fazer um desafio ao meu adversário, porque não é possível que você fique fazendo debate falando de corrupção e você não tome uma atitude”, disse Lula à imprensa.
Na sequência, o petista defendeu que os dois candidatos tornem públicas as informações financeiras e telefônicas para esclarecer acusações feitas durante a campanha.
“Eu tomei a atitude de desafiar ele a abrir o sigilo do telefone, o sigilo bancário, para saber quem é corrupto nesse país. Todo mundo acusa todo mundo e não apura nada. Então, vamos apurar. Eu me disponho e vou ficar fazendo o desafio para ele até o próximo debate, para que a gente faça a abertura do nosso sigilo bancário e telefônico, para se apurar quem é que faz corrupção nesse país, quem é que enriqueceu ilicitamente nesse país. Porque não é possível ficar nessa acusação barata de um com o outro”, prosseguiu.
Flávio reagiu à proposta com ironia, afirmando que a sugestão lhe pareceu “engraçada”, sob a justificativa de que Lula “não tem celular”. O senador também declarou ter ficado satisfeito com sua participação no debate, dizendo que conseguiu apresentar propostas e responder ao que classificou como mentiras do adversário.
“Eu fiquei feliz com o desempenho, pude falar de propostas e, finalmente, pude rebater várias mentiras aqui. Inclusive, uma foi engraçada: ele propõe a quebra de sigilo telefônico quando ele não tem celular. Minhas contas estão sempre abertas, tudo o que é meu está declarado à Receita”, afirmou.
O desafio foi lançado e repetido por Lula várias vezes durante debate. Na ocasião, o presidente disse que queria permitir aos brasileiros identificar “quem é ladrão nesse país”.
“Eu desafio você, os Bolsonaro e eu, amanhã, abrirmos nossa conta bancária, abrirmos nosso sigilo para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país”, declarou. Em seguida, especificou a proposta: “Abrir o telefone, o sigilo de telefone, a sua conta bancária. Eu abro da minha família inteira e você abre da sua família.”
Segundo Lula, a divulgação dessas informações ajudaria o eleitorado a avaliar as acusações de corrupção apresentadas pelos candidatos e evitaria que a população fosse enganada durante a disputa eleitoral.
Flávio afirmou não ter nada a esconder, mas não confirmou diretamente se aceitaria a abertura dos sigilos. Em vez disso, acusou o presidente de manter recursos fora de suas contas bancárias.
“Eu não tenho absolutamente nada a esconder. Só que a questão, Lula, é que o seu dinheiro é por fora sempre. Não está na sua conta, está em algum outro lugar”, disse o candidato do PL.
O encontro marcou o primeiro debate entre Lula e Flávio no segundo turno. O evento foi organizado pela Band em parceria com o jornal Estadão e as emissoras Cultura, Gazeta e Jovem Pan, após incertezas sobre a participação dos dois candidatos.
Fonte: ICL Noticias /