Ex-presidente do Einstein questionou a falta de verba na rede pública e defendeu o setor privado em debate na Fundação FHC; médico já criticou gestão da pandemia no governo Bolsonaro
Anunciado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) como o seu nome para assumir o Ministério da Saúde em caso de vitória nas eleições, o médico e executivo Claudio Lottenberg já defendia a expansão da saúde suplementar e questionava a tese de escassez de verbas no sistema público em declarações anteriores.
Em vídeo gravado durante o debate “O Futuro do SUS: Desafios e Mudanças Necessárias”, realizado pela Fundação FHC em 2019, o ex-presidente do Hospital Albert Einstein criticou a gestão orçamentária do setor. “O mantra de que está faltando dinheiro é um mantra, na minha interpretação, equivocado”, afirmou Lottenberg na ocasião, sustentando que não aportaria novos recursos públicos sem antes otimizar a alocação do orçamento existente, que segundo ele é mal gerido tanto na esfera pública quanto na privada.
Na mesma intervenção, o médico argumentou que o fortalecimento dos planos privados beneficia indiretamente a rede pública. De acordo com a sua visão, o crescimento do mercado de trabalho e a ampliação do acesso a seguros de saúde particulares reduzem a pressão sobre a infraestrutura estatal, favorecendo o Sistema Único de Saúde (SUS).
Quem é Claudio Lottenberg
Oftalmologista de formação, Lottenberg é ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein e foi secretário municipal de Saúde de São Paulo em 2005, na gestão de José Serra, período em que participou da implantação das Organizações Sociais de Saúde (OSS) na rede municipal. Em suas posições públicas, o médico defende a ampliação da participação do setor privado no SUS por meio de parcerias público-privadas, OSS e contratação da rede privada.
Apesar de ser a principal aposta da campanha do PL para o Ministério da Saúde, Lottenberg já fez críticas públicas à condução da pandemia de Covid-19 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, apontando a falta de coordenação do governo federal e o descumprimento de medidas sanitárias na época. Questionado sobre essas divergências, Flávio Bolsonaro minimizou os episódios anteriores, afirmando que a candidatura está “olhando para a frente”.
Fonte: Metro 1 / Foto: Reprodução/YouTube