Delegações de 14 países conheceram tecnologias da Embrapa para manejo do solo, sistemas integrados de produção e agricultura sustentável, além de discutir oportunidades de cooperação internacional.
Representantes de 14 países da África, América do Sul, Europa e Oceania visitaram a Embrapa Cerrados para conhecer como a pesquisa pública contribuiu para transformar o bioma em uma das principais regiões produtoras de alimentos do mundo. As agendas reuniram participantes de um programa internacional de estudos em agronegócio e uma delegação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Foto: Divulgação/Embrapa Cerrados
O primeiro grupo integrou o Nuffield Global Focus Programme, iniciativa que seleciona agricultores e profissionais do setor agropecuário para uma viagem de estudos de 45 dias por diferentes continentes. A delegação reúne representantes das cadeias de aves, pecuária, grãos e mel, além de cientistas, pesquisadores agrícolas e empreendedores do Reino Unido, Austrália, Zimbábue, Malaui, Holanda, Irlanda e Brasil.
Na Embrapa Cerrados, o grupo conheceu pesquisas relacionadas ao desenvolvimento agrícola do bioma, com destaque para fertilidade e biologia do solo, sistemas integrados de produção e cultivos nativos. “A Embrapa é um lugar de pesquisa que embasa os conhecimentos do Brasil, principalmente do bioma Cerrado. A ideia foi trazer produtores de todos os cantos do mundo para beber da fonte das informações produzidas aqui, ver o potencial de produção e de pesquisa do país e vivenciar, com as próprias mãos e os próprios olhos, a produção brasileira”, afirmou Luciana Klienam, integrante do Nuffield Brasil.

Foto: Fabiano Bastos
Guilherme Oliveira, também representante da organização, explicou que o programa busca aproximar os participantes de diferentes realidades agrícolas para que possam aplicar os conhecimentos adquiridos em seus países.
O Brasil encerrou o roteiro, que também passou por Austrália, Singapura, China, Romênia e França. “Não tem como escapar de mostrar a ambição da agricultura brasileira de ocupar o Cerrado e aumentar a produtividade. Hoje o país é um exportador mundial por causa dessa audácia de, no passado, tornar o Cerrado produtivo”, afirmou.
Imagem da agricultura brasileira
Para Sarah Whalley, cientista agrícola e gerente da Cicada Agritech, do Zimbábue, o Brasil é reconhecido internacionalmente como potência agrícola, mas nem sempre o público estrangeiro conhece o processo que levou a esse resultado. “Outras agriculturas são muito mais antigas. Aqui estamos falando de uma transformação que ocorreu, talvez, nos últimos 30 anos, e isso impressiona”, disse.

Foto: Marcos Carolino de Sá
Ela relatou que o Brasil já era uma referência para agricultores de seu país, que participam de intercâmbios educacionais no território brasileiro desde a década de 1990. Ainda assim, a visita apresentou novas informações.
Whalley afirmou que sua percepção sobre a produção nacional foi ampliada, especialmente em relação à preservação da biodiversidade nas propriedades rurais, aos sistemas integrados e à fixação biológica de nitrogênio na soja. “Fiquei muito surpresa com a proteção da biodiversidade nas propriedades rurais. Eu não sabia que o Brasil tem essa exigência em todo o País. É realmente inspirador. Também me chamaram a atenção os sistemas integrados e a fixação de nitrogênio na produção de soja. É estimulante ver como os municípios e o governo nacional estão avançando na recuperação de pastagens degradadas e no reflorestamento”, relatou.
Durante a troca de experiências com os pesquisadores, o produtor rural brasileiro Leonardo Prandini questionou como a produção nacional, que passou de cerca de 60 milhões para 180 milhões de toneladas em 22 anos, poderá continuar crescendo e se o Brasil tem condições de ampliar sua participação nas exportações de milho.

O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Cerrados, Edson Sano, explicou que o desempenho depende dos preços de mercado, mas destacou a possibilidade de realizar dois cultivos por ano agrícola no país. “A segunda colheita, a chamada safrinha, é de milho. Cerca de 80% da produção nacional do grão vem desse sistema”, afirmou. Segundo ele, a combinação entre condições climáticas, tecnologias e recomendações técnicas permite mais de um cultivo anual e contribuiu para ampliar a produção brasileira.
CPLP busca cooperação agrícola
A delegação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa visitou a Embrapa Cerrados como parte da programação de um fórum que marcou os 30 anos da comunidade. O grupo reuniu representantes de agências de promoção de exportações e atração de investimentos de países-membros africanos, além de Portugal e Brasil. Timor-Leste não enviou representante.

Foto: Divulgação/Embrapa
De acordo com Ana Lobato, assessora da Gerência de Relações Institucionais da ApexBrasil, o encontro buscou apresentar metodologias de atração de investimentos, inteligência de mercado, promoção de exportações e capacitação. A programação também incluiu visitas ao Instituto Butantan e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em São Paulo.
Em Brasília, a agenda priorizou a agricultura, especialmente a familiar, tema de interesse dos países participantes. A proposta foi apresentar instituições brasileiras capazes de contribuir com projetos conjuntos e compartilhar experiências de pesquisa e desenvolvimento.
Tecnologias para diferentes realidades
Durante a visita, os participantes conheceram iniciativas da Embrapa nas áreas de inovação, pesquisa agropecuária e desenvolvimento sustentável, incluindo a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e a Bioanálise de Solo (BioAS).

Joselina Carvalho, representante da Cabo Verde TradeInvest, destacou que a segurança alimentar e a sustentabilidade estão entre as prioridades de Cabo Verde. O país busca alternativas para captação de água e dessalinização de água salobra, áreas nas quais a pesquisa agropecuária brasileira desenvolve soluções, como a tecnologia das barraginhas e os trabalhos da Embrapa Semiárido.
Cláudia Pedro, representante da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (Aipex), ressaltou que dados e estudos científicos podem orientar decisões de investimento e ajudar a identificar modelos produtivos mais adequados a cada região. “Nós temos que transformar potencialidades em oportunidades concretas. Com os números que vocês apresentam sobre a integração entre floresta, pecuária e agricultura, consigo direcionar o investidor e dizer: ‘Naquela região você pode fazer agricultura, mas desta forma, porque os dados e as recomendações indicam maior viabilidade de sucesso’”, afirmou.
A expectativa da ApexBrasil é que o intercâmbio contribua para abrir oportunidades de cooperação e parcerias entre instituições brasileiras e os países participantes, de acordo com as demandas e os interesses de cada mercado.
Fonte: O Presente Rural com Embrapa Cerrados