ACM Neto e Zé Cocá acumulam derrotas com revés eleitoral de Flávio Bolsonaro

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Por Carine Andrade

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Bahia, estado do Nordeste que garantiu ao petista sua maior votação neste segundo turno, abre espaço para interpretações sobre o desempenho do mandatário em municípios administrados por grupos de oposição ao governo estadual.

Em Jequié, no sudoeste baiano, Lula venceu Flávio Bolsonaro (PL) com ampla vantagem: foram 62.460 votos (64,87%) contra 33.829 (35,13%) do candidato bolsonarista. O resultado chama a atenção pela dificuldade de Flávio em avançar no município, apesar da influência política que Zé Cocá (PP) construiu na região.

Considerado uma das lideranças mais influentes do sudoeste baiano, Cocá comandou a Prefeitura de Jequié até abril deste ano. Ex-deputado estadual, ele também consolidou sua força política à frente do Consórcio Intermunicipal Médio Rio de Contas e do Consórcio Público de Desenvolvimento Sustentável do Vale do Jiquiriçá (Convale).

Esse capital político fez do ex-prefeito um nome cobiçado pela base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que chegou a cogitá-lo para a vice-governadoria em um eventual cenário de substituição de Geraldo Júnior (MDB) na chapa governista. A articulação, no entanto, não avançou.

Cocá deixou a prefeitura para disputar o cargo de vice-governador na chapa encabeçada por ACM Neto (União Brasil), derrotada no primeiro turno pela segunda eleição consecutiva por Jerônimo Rodrigues. Com sua saída, o comando do município passou para seu sobrinho, Flavinho Santana (União Brasil).

O desfecho das urnas impôs uma dupla derrota política a ACM Neto e Zé Cocá. Além de não conseguirem se eleger na disputa estadual, os dois também viram Flávio Bolsonaro, candidato que apoiavam na corrida presidencial, ser derrotado no último domingo (25).

O peso da derrota

Na avaliação dos efeitos políticos do resultado presidencial na Bahia, a responsabilidade atribuída a ACM Neto tende a ser maior, por ter disputado o governo estadual e ocupar posição de principal liderança de oposição ao PT. O desempenho de Lula, porém, também levanta questionamentos sobre a capacidade de articulação do ex-prefeito de Salvador e sua força para transferir votos a aliados.

Na capital baiana, maior colégio eleitoral do estado e principal reduto político de ACM Neto, Lula obteve 1.154.072 votos (73,24%), contra 421.752 (26,76%) de Flávio Bolsonaro. A diferença expressiva reforça o contraste entre a força eleitoral do petista e o desempenho do candidato apoiado por lideranças da oposição na Bahia.

No resultado geral, Lula venceu em 413 dos 417 municípios do estado e ampliou sua votação de 66,17% dos votos válidos no primeiro turno, quando recebeu 5.664.771 votos, para 71,31% no segundo, com 6.485.258 votos.

O resultado consolida a força eleitoral do presidente na Bahia e impõe um desafio à oposição: explicar por que a influência de suas principais lideranças não se traduziu em uma votação mais competitiva para Flávio Bolsonaro. Para ACM Neto e Zé Cocá, a derrota presidencial se soma ao revés na disputa estadual e deixa questionamentos sobre o alcance de seu capital político.

Fonte: Politica Livre / Foto: Divulgação/Arquivo

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