Em suas primeiras aparições públicas após a vitória, o presidente citou a necessidade de impedir a privatização do SUS, ampliar a prevenção do câncer e continuar a transformação digital da saúde
Por Sophia Vieira
Na noite do último domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para mais 4 anos de governo após uma tensa disputa. Após o primeiro turno ter Flávio Bolsonaro como primeiro colocado, as três semanas seguintes foram marcadas por uma importantíssima mobilização orgânica, que garantiu a defesa da democracia e dos serviços públicos diante de um possível governo de ultradireita e neoliberal.
Dentre as políticas públicas que marcaram as declarações em defesa de Lula, em falas, cartazes e materiais nas redes sociais, se destacou o Sistema Único de Saúde. No discurso dado após a confirmação de que estava reeleito, Lula confirmou o papel central do SUS em motivar todos os envolvidos na vitória: “Eu quero que vocês saibam que uma das coisas que mais me motivou é a gente não permitir que essa gente ganhasse para privatizar o nosso SUS”.
A declaração se refere principalmente às propostas de Bolsonaro de amplos cortes em políticas públicas, além da possível nomeação de Cláudio Lottenberg, empresário e mercador da saúde, futuro ministro da pasta em seus planos de governo.
Lula também destacou em seu discurso que no próximo mandato continuará a “Revolução do SUS”, elogiando a atuação de seu ministro Alexandre Padilha. Como exemplo da reconstrução promovida por seu mandato – após o duro sucateamento promovido pelo Bolsonaro pai –, o presidente referencia os recentes acordos para ampliar o acesso e a qualidade a tratamentos para câncer na rede pública.
“Eu estou convencido de que, logo, logo, o Brasil será o país com maior percentual de tratamento de câncer no mundo”, declarou.
Ainda sobre desenvolvimento e inovação, Lula ressaltou o Hospital Inteligente em construção no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O projeto é coordenado pela professora da faculdade e cardiologista Ludhmila Abraão Hajjar e financiado pelo Banco do BRICS, sob direção da ex-presidenta Dilma Rousseff, ambas mencionadas na fala. O presidente apontou que o projeto pode colaborar para evitar a mortalidade por falta de tratamento ou de tempo.
Em agradecimento aos setores que se mobilizaram para possibilitar a virada histórica, Lula garantiu também que deve aprofundar seu foco nas políticas públicas voltadas ao cuidado dos idosos: “No próximo mandato eu vou levar muito a sério a política de cuidado com os nossos velhinhos que estão responsáveis pela nossa existência”.
Fonte: Outra Saúde / Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil