Pesquisas de opinião mostram que a perda de cobertura de saúde gera insatisfação popular e a ideia de uma cobertura universal ganha mais força entre eleitores
Na terça-feira (3), os Estados Unidos concluem suas eleições de meio de mandato com as pesquisas apontando que o Partido Democrata pode assumir o comando das duas Casas Legislativas, dificultando as ações do governo Trump. E um dos temas determinantes para o favoritismo da oposição é a percepção pública sobre as políticas de saúde e os custos do setor no país, um debate que está moldando a disputa política nacional.
A preocupação com o acesso à saúde é especialmente aguda no interior do país. Uma pesquisa divulgada pela RealClearPolitics, cobrindo 2 mil eleitores prováveis em regiões rurais de cinco estados conservadores (Kentucky, Mississippi, Louisiana, Alabama e Missouri), revelou uma apreensão generalizada com os impactos das políticas federais de austeridade, que tem prejudicado o acesso dos mais pobres.
Entre 64% e 72% dos entrevistados rurais relatam temor de que interrupções no Medicaid, programa governamental que oferece cobertura de saúde gratuita ou de baixo custo para pessoas e famílias com baixa renda, afetem suas comunidades, um sentimento compartilhado inclusive por 58% dos eleitores republicanos.
O ponto central dessa crise remonta à aprovação do One Big Beautiful Bill (OBBB) em julho de 2025, que projetou um corte de 911 bilhões de dólares no financiamento federal do Medicaid ao longo de uma década. A lei impôs critérios rígidos de comprovação de 80 horas mensais de trabalho ou estudo, resultando na perda de cobertura para cerca de 5,3 milhões de beneficiários. Contudo, segundo projeções do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), até 11 milhões de estadunidenses poderão ficar sem assistência até 2034.
Embora o governo alegue que a legislação destinou 50 bilhões de dólares para programas de transformação da saúde rural até 2030, a população local sente o impacto direto do desmonte. Entre 61% e 68% dos entrevistados apontam que seus custos sobem quando hospitais comunitários fecham ou reduzem atendimentos. As maiores apreensões envolvem o prejuízo a idosos e veteranos, o fechamento de maternidades, o aumento no tempo de resposta de ambulâncias e a necessidade de longos deslocamentos para tratamentos de câncer e hemodiálise.
Mas a preocupação não se limita aos eleitores desses cinco estados. Uma pesquisa da KFF Health Tracking Poll, divulgada no início de outubro, mostrou que cerca de metade dos eleitores diz que é “extremamente importante” que os candidatos nas eleições de meio de mandato falem sobre o custo da saúde, que figura ao lado do custo de vida como os dois principais temas apontados pelos entrevistados. Em relação ao plano defendido pela esquerda do Partido Democrata, o Medicare para Todos, dois terços (66%) agora apoiam o programa, um aumento em relação aos 53% registrados quando a KFF fez a pergunta pela última vez em outubro de 2020.
Fonte: Outra Saúde / Créditos: Francis Chung/Politico/Bloomberg via Getty Images