A Câmara Municipal de Feira de Santana deverá realizar uma Audiência Pública para discutir problemas na regulação hospitalar, conforme anunciado na sessão. A iniciativa parte da Comissão de Saúde e busca apurar demoras ou ausência de transferências de pacientes pelo sistema estadual, além de reunir dados e propostas para enfrentar a situação. Paralelamente, vereadores também destacaram o alto número de faltas em consultas e exames do SUS, que impacta o funcionamento da rede municipal.
O vereador Lulinha da Gente (União), presidente da Comissão de Saúde, afirmou que a audiência pretende reunir representantes do Governo do Estado, Município, profissionais da saúde, parlamentares e sociedade civil para discutir medidas que reduzam os problemas registrados. Ele cobrou explicações do governador Jerônimo Rodrigues e da secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, sobre a demora na regulação hospitalar.
Durante o pronunciamento, o parlamentar citou casos registrados em unidades de saúde de Feira de Santana e em cidades do interior, apontando que pacientes aguardam por dias ou não conseguem transferência para hospitais de referência. Segundo ele, há registros de pessoas que morreram enquanto aguardavam o procedimento.
Demora na regulação hospitalar é alvo de críticas
Relatos apresentados na Câmara indicam que pacientes chegam a esperar mais de seis dias por transferência, em alguns casos permanecendo em cadeiras nas unidades de saúde. Em visita à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Queimadinha, vereadores relataram mortes de pacientes que não conseguiram aguardar a regulação, além de situações prolongadas de espera.
A audiência pública, ainda sem data definida, deverá discutir alternativas para reduzir o tempo de espera e ampliar a efetividade do sistema de regulação estadual. Entre os objetivos está identificar falhas operacionais e propor ajustes no fluxo de atendimento.
O vereador destacou que o debate pretende avaliar medidas para reduzir o que classificou como “fila da morte”, expressão utilizada para se referir ao acúmulo de pacientes aguardando transferência hospitalar. A proposta inclui ouvir gestores e trabalhadores da saúde sobre possíveis soluções.
Ampliação de unidades de saúde é anunciada
Apesar das críticas, foi informado que a UPA da Queimadinha passará a ser de porte 3, com previsão de ampliação da estrutura e inclusão de atendimento especializado, como ortopedia. A unidade deverá contar com maior capacidade de atendimento e suporte ampliado à população.
Segundo informações apresentadas durante a visita, a UPA do bairro Mangabeira também deverá passar por ampliação, com objetivo de aumentar a oferta de serviços e reduzir a sobrecarga em outras unidades.
As medidas são apontadas como parte de ações para fortalecer a rede de urgência e emergência no município, embora ainda dependam de execução e acompanhamento por parte dos órgãos responsáveis.
Faltas em consultas e exames do SUS preocupam vereadores
Outro tema discutido na Câmara foi o alto índice de ausência de pacientes em consultas e exames agendados pelo SUS. O vereador José Carneiro (União Brasil) apresentou dados da Secretaria Municipal de Saúde que indicam 39.511 procedimentos não realizados devido à falta dos pacientes.
O número representa 9,6% dos 411.434 agendamentos realizados em 2026, sendo 298.160 exames e 113.274 consultas. Segundo o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, cada ausência impede que outro paciente utilize a vaga disponível.
De acordo com o parlamentar, o índice é considerado relevante, especialmente por se referir aos primeiros meses do ano. Ele destacou que a ausência compromete a organização da rede pública e amplia o tempo de espera por atendimento.
Propostas para reduzir impacto das faltas
Diante do cenário, foi sugerido que a Prefeitura intensifique campanhas de conscientização para orientar a população sobre a importância de comparecer aos procedimentos agendados ou realizar o cancelamento prévio.
A medida visa otimizar o uso das vagas disponíveis e reduzir filas no sistema público de saúde, permitindo que mais pacientes tenham acesso aos serviços. A gestão municipal também tem como meta diminuir o tempo de espera por consultas e exames, considerado um dos principais desafios da área.
O tema deverá continuar em discussão no Legislativo, com possibilidade de novas medidas para melhorar a eficiência do atendimento na rede pública de saúde.
Fonte: Jornal Grande Bahia