Banco Mundial prevê desaceleração na América Latina e defende continuidade de reformas

economia
Região deve crescer 2,1% em 2026, abaixo do ritmo registrado no ano anterior, em meio a desafios macroeconômicos e pressão global

A América Latina e o Caribe devem registrar crescimento econômico mais lento em 2026, segundo relatório do Banco Mundial, que também reforça a necessidade de continuidade das reformas estruturais na região. A projeção indica expansão de 2,1% neste ano, abaixo dos 2,4% observados em 2025.

De acordo com a instituição, o desempenho mais moderado reflete um ambiente macroeconômico desafiador, marcado por custos elevados de financiamento, demanda externa enfraquecida e pressões inflacionárias associadas às incertezas geopolíticas.

O relatório será debatido nas reuniões de primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), previstas para a próxima semana, em Washington.

Além das projeções, o documento destaca o avanço das discussões sobre políticas industriais em países em desenvolvimento, impulsionadas pelo aumento do protecionismo em economias como os Estados Unidos. Para o economista-chefe do Banco Mundial para a região, William Maloney, o foco deve estar na eficiência do Estado, e não necessariamente em sua expansão. “O relatório defende um Estado mais competente e capaz, não necessariamente maior”, afirmou.

Segundo Maloney, a região ainda enfrenta entraves históricos ao crescimento, como baixa produtividade, deficiência na qualificação da força de trabalho e limitações fiscais que dificultam investimentos públicos de grande escala. “São problemas de longa data, que remontam a décadas”, disse.

O relatório também menciona o caso da Argentina, que adotou uma agenda econômica mais agressiva sob o governo de Javier Milei, com cortes significativos nos gastos públicos. As medidas têm sido elogiadas por organismos internacionais em termos de controle do déficit e da dívida, mas ainda levantam dúvidas sobre seus efeitos no crescimento de longo prazo.

Apesar das diferentes estratégias adotadas ao longo dos anos, o Banco Mundial avalia que o desempenho econômico da América Latina segue aquém do esperado, tanto em modelos mais intervencionistas quanto em abordagens mais liberais.

Entre as recomendações, a instituição destaca a importância de investimentos em educação superior, estabilidade regulatória, gestão fiscal responsável e segurança institucional como pilares para impulsionar o crescimento sustentável na região.

Fonte: Money Report

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *