Mesmo sem nenhum integrante do governo diretamente envolvido nas investigações, aliados veem que crise acaba contaminando a opinião pública sobre todo o sistema político
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que o governo enfrenta um momento de ambiente político “conflagrado”, em Brasília, em razão das investigações sobre o caso Master, com revelações ainda mal explicadas sobre a relação de amizade e negócios do banqueiro Daniel Vorcaro com agentes do Judiciário e da política.
Nos bastidores do Planalto, a preocupação central é o impacto desse cenário sobre a imagem do presidente Lula e o humor do eleitorado.
Para o entorno do presidente, o problema não se limita ao caso específico do Master, mas ao que consideram um clima generalizado de denúncias e suspeitas de corrupção, o que acaba contaminando a percepção pública sobre todo o sistema político.
Esse contexto, segundo avaliação, pressiona o chamado “status quo” e alimenta um sentimento crescente de insatisfação com as instituições, com a ideia de que o chefe do sistema é o presidente da República.
Até o crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas tem sido apontado como reflexo do humor do país diante da crise.
Por isso mesmo, a orientação dentro do governo é manter apoio público às investigações e evitar qualquer movimento que possa ser interpretado como tentativa de interferência junto à PF.
Integrantes do Planalto argumentam que, até o momento, não há integrantes do núcleo do governo diretamente envolvidos nas apurações.
Além do caso Master, outras frentes investigativas também entram no radar do Planalto, entre elas, as apurações relacionadas ao INSS, investigações no Supremo sobre irregularidades no uso de emendas parlamentares e o caso da Refit, empresa do setor de combustíveis (antiga Refinaria de Manguinhos), alvo de investigações no Brasil, que apontam prejuízo de cerca de R$ 26 bilhões aos cofres públicos. A empresa é considerada pela Receita um dos maiores devedores de impostos do país.
Fonte: CNN Brasil / Foto: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) • Divulgação