Como Telenomus remus evita superparasitismo em ovos de Spodoptera frugiperda

Bahia Brasil CITY RURAL

Quinta, 15 de janeiro de 2026

Pesquisa detalha marcação de ovos e aprendizado no controle biológico do milho

A vespa Telenomus remus apresenta comportamento refinado para reconhecer ovos já parasitados da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). O inseto utiliza marcas deixadas após a oviposição e sinais internos do hospedeiro para evitar a superparasitização. O resultado amplia o entendimento sobre o uso do parasitoide em programas de controle biológico da principal praga do milho.

Pesquisadores observaram que o parasitismo ocorre em etapas bem definidas. A fêmea procura o hospedeiro com as antenas. Em seguida, examina cada ovo por meio de toques repetidos. Caso considere o ovo adequado, introduz o ovipositor e deposita um único ovo. Logo após, executa um movimento característico em forma de “8” sobre a superfície do ovo. Esse gesto funciona como marca química.

Essa marca reduz a chance de outra fêmea utilizar o mesmo ovo. Quando encontra um ovo marcado, a vespa tende a evitá-lo. Se a informação externa não basta, ela perfura o ovo com o ovipositor para avaliar a condição interna. Ao detectar parasitismo prévio, abandona o local.

Densidade de ovos

O estudo avaliou o efeito da densidade de ovos do hospedeiro. À medida que a quantidade de ovos aumentou, o tempo de busca diminuiu. A taxa de parasitismo cresceu até atingir um patamar estável. Em massas com 30 ovos, a eficiência já se aproximou do máximo observado.

O tempo de exposição também influenciou os resultados. Com 1,5 hora de contato entre a fêmea e a massa de ovos, o parasitismo alcançou cerca de 99%. Períodos menores limitaram o desempenho. Tempos maiores não ampliaram a eficiência e podem induzir desgaste da fêmea.

Reconhecimento e experiência

A pesquisa demonstrou que a experiência da fêmea altera o comportamento. Fêmeas com histórico de oviposição reconheceram ovos marcados em todas as temperaturas testadas, entre 16 ºC e 36 ºC. Também mantiveram essa capacidade por até 12 horas após a marcação.

Fêmeas sem experiência apresentaram desempenho distinto. Elas reconheceram ovos marcados apenas logo após a oviposição ou quando os ovos permaneceram a 16 ºC. Em temperaturas mais altas ou após maior intervalo de tempo, a capacidade de reconhecimento caiu. O resultado indica que o calor acelera a degradação da substância marcadora.

A experiência prévia parece compensar essa perda. O estudo sugere que fêmeas experientes utilizam aprendizado e memória para identificar sinais mais fracos. Esse mecanismo reduz erros e evita desperdício de ovos.

Controle biológico

Os resultados oferecem base prática para programas de criação massal e liberação em campo. A definição da densidade ideal de ovos e do tempo de exposição melhora a eficiência da produção do parasitoide. A constatação de que fêmeas experientes apresentam melhor desempenho reforça a importância do manejo adequado antes da liberação.

O comportamento de marcação também explica casos ocasionais de superparasitismo observados em laboratório. Em geral, cada ovo hospedeiro abriga apenas uma larva viável da vespa. A competição interna elimina excedentes, mas reduz a eficiência do sistema.

O estudo conclui que o sucesso de Telenomus remus no controle da lagarta-do-cartucho depende da combinação entre sinais químicos, temperatura, tempo e aprendizado.

Mais informações em doi.org/10.3390/insects17010093

Fonte: Revista Cultivar / Foto: Subramanian Sevgan, CC-BY-NC 4

Fonte: revista cultivar / Foto: Subramanian Sevgan, CC-BY-NC 4

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