Conselho de Participação Social condena ações contrárias à ética do Candomblé”, diz Deyvid Bacelar

Bahia

Nesta terça-feira (28/10), o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP) Deyvid Bacelar, que é membro do Conselho de Participação Social (CPS) do governo Lula, fez uma defesa pública do posicionamento da Yalorixá Jaciara Ribeiro, do Axé Abassá de Ogum e do Ilê Axé Ofa Omí Layó.

Quem assistiu ao filme Três Obás de Xangô, de Sérgio Machado, deve ter se encantado com a atuação do escritor Jorge Amado em defesa das religiões de matriz africana. A ação de Jorge Amado em defesa do candomblé foi intensa e marca presença em sua produção literária, no seu engajamento pessoal e na militância política. Embora ateu, ele nutria uma relação de devoção e respeito pelas religiões de matriz africana, que foi essencial para sua vida e obra. 

Nesta terça-feira (28), o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP) Deyvid Bacelar, que é membro do Conselho de Participação Social (CPS) do governo Lula, fez uma defesa pública do posicionamento da Yalorixá Jaciara Ribeiro, do Axé Abassá de Ogum e do Ilê Axé Ofa Omí Layó, condenando de forma veemente a divulgação de um vídeo, no qual uma pessoa que se apresenta como liderança religiosa em Salvador, na Bahia, assume a prática do crime de vilipêndio de cadáver para a realização de rituais no Candomblé.

“Vilipendiar cadáveres é um crime hediondo e uma conduta isolada, que não possui respaldo nos princípios e rituais do candomblé. Essa prática não faz parte da religião e, quando realizada, é considerada uma deturpação grave e um desrespeito tanto aos mortos quanto à fé”, ressaltou Bacelar.

Segundo ele, o Conselho de Participação Social do governo federal está atento a esse tipo de conduta criminosa cujos atos são contrários à ética e aos ensinamentos da religião de matriz africana. “As lideranças e comunidades do candomblé e de outras religiões de matriz africana reagiram com indignação à notícia. Elas emitiram comunicados repudiando a prática para proteger a imagem da religião e evitar a propagação de preconceitos”, destacou Bacelar.

Ele lembrou que a pessoa em questão merece o direito de ampla defesa porque tem contributos importantes para a religião, mas explicou que casos como esse, nos quais indivíduos agem criminosamente e alegam motivações religiosas, podem ser usados para criminalizar e estigmatizar as religiões de matriz africana de forma geral.

De acordo com a legislação, vilipendiar um cadáver ou suas cinzas é um crime previsto no artigo 212 do Código Penal brasileiro. A lei estabelece pena de detenção para quem desrespeita ou profana um corpo morto, independentemente da motivação. A penalidade reflete a proteção legal ao respeito aos mortos.

Na nota de repúdio divulgada pela yalorixá Jaciara, que é coordenadora estadual do Grupo de Trabalho de Mulheres de Axé da RENAFRO (Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde), ela frisou que “essas ações servem apenas como instrumento para incentivar e justificar ataques violentos contra nossas comunidades e nossa ritualística sagrada”.

“Repudiamos veementemente a exposição desmedida e descuidada da nossa religião em conteúdos publicados nas redes sociais. Reafirmamos nosso compromisso com a verdade, a ética e a dignidade das Religiões de Matriz Africana do Brasi”, ressaltou Jaciara.


Fonte: Política Livre / Foto: Reprodução

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