A Plenária Geral do “Mandato da Luta”, promovida pelo deputado federal Zé Neto (PT-BA) no domingo (15/03), em Feira de Santana, foi apresentada pelo grupo político do parlamentar como um ato de mobilização territorial e reafirmação programática com vistas ao ciclo eleitoral de 2026. Segundo a divulgação feita pelo próprio mandato, o encontro ocorreu na Chácara da Luta e reuniu mais de 2 mil pessoas, vindas de mais de 60 municípios e vinculadas a 67 entidades, em uma agenda marcada pela presença de dirigentes partidários, vereadores, representantes de movimentos sociais e integrantes do governo estadual.
A convocação do evento havia sido divulgada anteriormente com a indicação de que a plenária seria um espaço para discutir diretrizes do mandato e organizar a atuação política do grupo no horizonte de 2026. Na chamada pública, o encontro foi descrito como um momento de mobilização de militantes, apoiadores e lideranças, com ênfase em temas como democracia, soberania nacional, justiça social, igualdade, inclusão e desenvolvimento econômico e social.
O evento também serviu para reforçar o alinhamento político de Zé Neto ao núcleo governista liderado, na Bahia, pelo governador Jerônimo Rodrigues, e, no plano nacional, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes da plenária, o deputado informou que havia participado, em Salvador, de uma reunião da bancada federal com o governador e afirmou que seguiria para Feira levando uma mensagem de “determinação”, “unidade” e “compromisso com a Bahia e com o Brasil”, citando ainda o senador Jaques Wagner e o ministro Rui Costa como referências do mesmo campo político.
Encontro reforça estratégia de mobilização territorial do mandato
Nas publicações posteriores ao evento, Zé Neto definiu a plenária como um espaço de “diálogo, escuta e construção coletiva” e afirmou que esse formato de reunião é mantido há 26 anos, desde o período em que iniciou sua trajetória política em Feira de Santana. A narrativa do mandato sustenta que encontros desse tipo têm sido utilizados para reunir militantes, representantes de entidades e lideranças comunitárias em torno da discussão de prioridades políticas e sociais.
A lista de presenças mencionada na divulgação do mandato inclui nomes relevantes da política estadual e municipal. Entre os participantes citados estão o presidente do PT da Bahia, Tássio Brito; o presidente do PT de Feira de Santana, Adriano; o secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Filipe Freitas; os vereadores Sílvio Dias, Professor Ivamberg e Luiz da Feira; o deputado estadual Robinson Almeida; além de representantes de movimentos sociais e lideranças comunitárias.
Embora a narrativa oficial do evento enfatize participação popular e reencontro da militância, a plenária teve função claramente mais ampla do que a de uma simples reunião de prestação de contas. Pelo desenho político exibido nas mensagens públicas, tratou-se de um ato voltado à manutenção de base, à sinalização de capilaridade regional e à organização antecipada do campo político alinhado ao parlamentar em uma praça decisiva como Feira de Santana.
Feira de Santana no centro da articulação política regional
A escolha de Feira de Santana como sede da plenária possui relevância estratégica. O município é o segundo maior da Bahia e ocupa posição central na política do interior do estado, sendo considerado um dos principais polos econômicos e eleitorais da região.
A trajetória política de Zé Neto está profundamente vinculada à cidade, onde iniciou sua carreira como vereador e consolidou sua base eleitoral ao longo dos anos. Posteriormente, o parlamentar exerceu mandato como deputado estadual por vários períodos antes de chegar à Câmara dos Deputados, mantendo atuação política permanente na região.
Ao realizar a plenária em Feira de Santana, o deputado reforça uma estratégia tradicional da política baiana: preservar presença ativa no interior, fortalecer alianças regionais e demonstrar capacidade de mobilização política. Encontros desse tipo funcionam como instrumentos de articulação entre lideranças locais, movimentos sociais e representantes institucionais.
Também chama atenção a continuidade da marca política “Mandato da Luta”, utilizada há anos pelo grupo político de Zé Neto. A expressão tem sido empregada para caracterizar uma atuação vinculada a movimentos sociais, organizações populares e debates sobre políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social.
Preparação política para o ciclo eleitoral de 2026
Ainda que o calendário eleitoral formal esteja distante, a linguagem adotada na convocação e na divulgação do evento indica que a plenária também foi pensada como parte de um processo de organização política para o próximo ciclo eleitoral.
O encontro reforçou o discurso de unidade em torno de lideranças do campo político governista, especialmente do presidente Lula, do governador Jerônimo Rodrigues, do senador Jaques Wagner e do ministro Rui Costa. Essa referência reiterada sugere uma tentativa de consolidar alinhamentos políticos e fortalecer a presença do grupo em debates futuros.
Além disso, a reunião serviu para reunir lideranças municipais, representantes de movimentos sociais e dirigentes partidários em torno de uma agenda comum, reforçando a ideia de participação coletiva e construção política compartilhada, elementos frequentemente associados à narrativa do mandato.
Do ponto de vista político, plenárias desse tipo funcionam como instrumentos de mobilização territorial, consolidação de redes de apoio e articulação programática, especialmente em momentos em que partidos começam a discutir estratégias para ciclos eleitorais futuros.
Fonte: Jornal Grande Bahia