Montadora chinesa anunciou um novo conjunto híbrido cujo motor 1.5 turbo a gasolina alcança eficiência térmica recorde de 48,09%
Por Leonardo Felix – Quinta, 2 de janeiro de 2026
A montadora chinesa Dongfeng não é muito conhecida dos brasileiros, pois não tem (ainda) uma operação oficial no Brasil, mas é uma das maiores fabricantes automotivas da China. Grande e forte a ponto de superar as gigantes Toyota e BYD em uma corrida particular: a criação do motor a gasolina mais eficiente do mundo.
Em dezembro do ano passado, a Dongfeng anunciou o lançamento de uma nova família de motorizações híbridas, formadas a partir do motor 1.5T Mach Hybrid. Este conjunto se baseia em um propulsor 1.5 turbo com injeção direta, quatro cilindros em linha e 16 válvulas, tem uma eficiência térmica de 48,09%, a maior já declarada oficialmente para um motor a gasolina.
Em motores de combustão interna, a “eficiência térmica” é a capacidade de aproveitamento de toda a energia gerada pelas explosões para o funcionamento do veículo. Em propulsores convencionais de ciclo Otto, o índice fica em torno de 30%, o que significa que mais de 60% de toda a energia gerada pela combustão acaba desperdiçada.
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Conjuntos híbridos, como o 1.8 dos Toyota Corolla, Corolla Cross e Yaris Cross, permitem o funcionamento em ciclo Atkinson, que retarda o fechamento das válvulas de admissão para reaproveitar parte do ar admitido na câmara. Isso por conta da união com um motor elétrico, que supre a perda de potência do motor a combustão.
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Motor 1.5 DM-i do BYD Qin L PHEV tem eficiência térmica de 46,06%, recorde batido pelo novo 1.5T Mach Hybrid da Dongfeng — Foto: BYD/Divulgação
No caso da Toyota, a fabricante japonesa anuncia uma eficiência térmica entre 40% e 42% de todos os seus conjuntos híbridos atualmente em linha. Esses mesmos 42% são alcançados pela GAC na motorização híbrida plena (HEV) do SUV GS4. Em 2025, a BYD anunciou uma nova geração do conjunto DM-i com mais de 46% de eficiência térmica, o que passou a ser um recorde na indústria.
Agora, a Dongfeng lança o motor 1.5T Mach Hybrid com 48,09% de eficiência térmica. Entretanto, o percentual supera os 50% nos momentos de carga mais baixa de uso, quando o propulsor atinge o pico de aproveitamento de energia. Tais números renderam à montadora chinesa uma certificação do Centro de Pesquisa e Tecnologia da Indústria Automotiva Chinesa (Catarc), órgão chinês responsável pelas homologações de veículos no país.
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Para alcançar o recorde, a Dongfeng trabalhou basicamente os seguintes pontos do motor 1.5 de ciclo Miller (que segue o mesmo preceito do Atkinson, porém com turbocompressor):
- O primeiro foi a otimização do sistema de combustão, por meio de uma taxa de compressão altíssima, de 15.5, similar à de motores a diesel, uma relação curso/diâmetro acima de 1,45 e um sistema de injeção direta de altíssima pressão (acima de 500 bar ou atmosferas);
- Sistema de admissão com arrasto reduzido, incluindo um turbo de geometria variável com funcionamento híbrido (elétrico e mecânico) e comando de válvulas variável controlado eletricamente;
- Redução de atrito dos componentes do motor motor através de mais de dez pontos de ação, como bombeamento de óleo por motor elétrico e pulverização térmica das paredes dos cilindros.
De acordo com a Dongfeng, o novo motor 1.5T Mach Hybrid também é capaz de otimizar o modo de funcionamento de acordo com o ambiente de uso: uma cidade com trânsito congestionado ou uma viagem em rodovia. Isso permitirá uma redução de consumo em cerca de 10%, aumentando em cerca de 100 km a autonomia combinada de qualquer veículo híbrido entre um reabastecimento e outro.
Apesar de ainda ser desconhecida dos brasileiros, a Dongfeng já está presente indiretamente em nosso mercado através de produtos como os Citroën C3, Basalt e Aircross, e os Peugeot 208 e 2008. Isso porque foi a montadora chinesa que criou, em parceria com a extinta PSA, a plataforma modular CMP usada hoje por todos os carros compactos mais modernos do grupo Stellantis.
A partir de 2026, a Fiat passará a fazer uso dessa arquitetura no Brasil, ao lançar um inédito hatch compacto popular, a versão nacional (e ainda sem nome revelado) do modelo europeu Grande Panda. Será o primeiro produto de uma família de carros com essa mesma matriz que a Fiat lançará no Brasil até o final da década.
Fonte: Autoesporte Globo