Ex-donos de REAG e Master creem em delator: elo de Zettel com irmãos Toffoli assusta

Bahia Brasil justiça

Investigados por BC, PF e MPF, controladores das instituições liquidadas veem atuação direcionada na busca por documentos e relações cruzadas e suspeitam de Silvano Gerstzel

Sexta, 16 de janeiro de 2026

Fabiano Zettel, “pastor” de igrejas de denominação evangélica como Lagoinha e Bola de Neve, é empresário e investidor em negócios como a Frutaria São Paulo e o chá emagrecedor Desinchá. Cunhado e sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ele é o controlador final do fundo Arleen. Esse fundo tem como cotista exclusivo o fundo “Leal”, cujo único cotista é o próprio Fabiano Zettel.

Foi o fundo Arleen que pagou R$ 20 milhões aos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal José Antônio Dias Toffoli pela aquisição de parte do controle do resort Tayayá, no interior do Paraná.

As informações do parágrafo acima estão corretas, são assustadoras por colocar tão próximos na escala factual um investigado e um juiz (ou ministro) do maior escândalo de fraude financeira da história do país, e foram publicadas em primeira mão pelo jornal O Estado de S Paulo no início da manhã desta 6ª feira, 16 de janeiro de 2026.

A publicação jornalística é fruto imediato da entrada dos liquidantes do Banco Central no sistema de informações da gestora REAG DTVM (ou CBSF, como passou a se chamar desde setembro de 2025, depois da Operação Carbono Oculto). Até 15 de janeiro, o guardião e detentor exclusivo dessa informação era o sistema de TI da REAG e o controlador da gestora, João Carlos Mansur. Agora, graças ao vazamento da fiscalização – em nome da transparência – os fatos são públicos e notórios.

Fabiano Zettel, por meio desse fundo Arleen, pagou R$ 20 milhões pela participação dos irmãos do ministro do STF, o ex-padre José Carlos e o engenheiro José Antônio Dias Toffoli. Em valores de mercado, à época em que o negócio foi feito o valor de mercado do naco dos Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná, estava estimado em R$ 6,6 milhões. Todo o negócio entre Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master, e os irmãos do ministro do STF se deu entre 2021 e 2022.

SUSPEITA-SE DE UM DELATOR: GERSTZEL

Já na manhã do dia 15 de janeiro, ex-controladores do Master e da REAG DTVM manifestaram surpresa com a precisão dos atos e procedimentos dos investigadores do Banco Central, da Polícia Federal e do Ministério Público ao entrarem nos centros operacionais das duas instituições financeiras liquidadas. “Os caras estão indo diretamente aonde tem problema. Eles sabem o que buscar, onde buscar e a quem acionar”, comentou espantado um operador financeiro que integrou o carrossel societário da REAG DTVM no passado e operou com todos os ora investigados nesse sistema.

Na noite da quinta-feira, depois de intensa troca de telefonemas entre si e deles com os respectivos advogados, os investigados pelo cometimento de fraudes financeiras que levaram à liquidação do Banco Master e da operadora REAG tinham certeza da existência de um delator saído de dentro do grupo de executivos com os quais trabalharam nos últimos cinco anos. Uma sólida maioria dentre eles apontou para Silvano Gerstzel, ex-CEO da própria REAG Trust DTVM até setembro do ano passado.

Quando a operadora e seus fundos surgiram no foco das investigações da Operação Carbono Oculto com a preocupante desconfiança da Polícia Federal de que se tratava de uma lavanderia para “branqueamento de capitais” usada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital, organização criminosa facínora), em 28 de agosto de 2025, Gerstzel desequilibrou-se no comando da REAG e pediu para sair de lá. Rapidamente foi afastado e a empresa passou a se chamar CBSF Distribuidora de Títulos.

Com experiência de mais de 30 anos no mercado financeiro, ex-executivo do Dresdner Bank no Brasil e do Banco Fator, Silvano Gerstzel sempre foi considerado um operador que não cruzava a fronteira entre responsabilidade e irresponsabilidade no dia a dia tenso da compra e venda de ações e participações de fundos.

Ele é citado em várias das ações em curso no poli investigativo sobre o Master e a REAG, porém, não constituiu advogado para nenhuma dessas ações e não tem sido encontrado pelos antigos parceiros de operações.0 É desse sumiço de desse comportamento atípico que saem a desconfiança de que ele é suposto delator que estaria apontando o caminho das pedras (cantadas?) para os investigadores.

Fonte: ICL Noticias /

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