Apesar da queda, americanos seguem como o segundo maior parceiro comercial do Brasil
As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 7,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 18,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com isso, a participação americana na pauta exportadora caiu para 9,5%, o menor nível desde o início da série histórica em 1997.
O desempenho contrasta com o avanço das vendas externas para outros mercados, como China e União Europeia, que cresceram 3,5% no período. A corrente de comércio bilateral recuou 14,8%, totalizando US$ 17 bilhões, reflexo da retração tanto das exportações quanto das importações, embora os EUA sigam como o segundo maior parceiro comercial do Brasil.
A queda foi disseminada entre setores, com forte impacto na indústria extrativa (-39,1%), agropecuária (-34,4%) e indústria de transformação (-14,2%), esta última pressionada por tarifas sobre produtos de maior valor agregado.
Apesar disso, março trouxe sinais de moderação: as exportações recuaram 9,1% no mês, com crescimento em sete dos dez principais produtos, incluindo petróleo bruto (+321%), aeronaves (+85,8%) e máquinas elétricas (+73,4%).
Produtos sem sobretaxas avançaram 15,1%, favorecidos pela decisão da Suprema Corte dos EUA que reduziu tarifas em fevereiro.
Ainda assim, as sobretaxas seguem como fator crítico, atingindo cerca de 55% das exportações brasileiras ao mercado americano.
Segundo levantamento da Amcham, 86% das empresas manifestam preocupação com novas restrições comerciais, o que mantém elevado o nível de incerteza.
Do lado das importações, houve queda de 11,1%, concentrada em máquinas e petróleo, mas o fluxo permanece resiliente quando esses itens são excluídos.
Para os próximos meses, o cenário é de cautela: embora haja espaço para recuperação gradual, sustentada pela demanda americana e pela expansão de produtos sem tarifas adicionais, o risco de novas medidas restritivas mantém o horizonte incerto para os negócios bilaterais.
Fonte: Money Report