Flávio votou a favor da Lei da Misoginia para não perder votos das mulheres, confessa deputado bolsonarista

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Filho do ex-presidente é contra projeto que visa criminalizar misoginia, mas segundo aliado, votou a favor por questões eleitorais; veja vídeo

Por: Ivan Longo – Quarta, 25 de março de 2026

O deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS) revelou nesta quarta-feira (25) que o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu aliado, é contra o projeto de lei que criminaliza a misoginia aprovado nesta terça-feira (24) no Senado, mas que votou a favor da proposta para não perder votos das mulheres.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Marcon dispara uma série de fake news sobre o projeto, entre elas a de que “interromper uma mulher” ou dizer que “ela está nervosa porque está de TPM” configuraria crime de misoginia, e tenta explicar o posicionamento de Flávio diante das críticas de bolsonaristas, afirmando de forma explícita que ele só votou a favor da proposta para não perder votos do eleitorado feminino.

“Vocês imaginem, por exemplo, lá em Xique-Xique, interior da Bahia, Dona Maria com três filhos, viúva, com extrema dificuldade de pagar suas contas durante o governo Lula, pensando em votar em Flávio Bolsonaro, vê no Jornal Nacional ‘Flávio Bolsonaro é a favor da violência contra as mulheres’, que é isso que iria sair. Vocês acham que ela repercutiria isso como no coração dela, no voto dela? Voltaria obviamente no Lula”, diz Marcon.

O deputado bolsonarista, na sequência, falou de forma ainda mais aberta sobre a estratégia de Flávio:

“O nosso voto ele já tem, ele precisa do voto da Dona Maria lá em Xique-Xique, no interior da Bahia. Então, pessoal, é um jogo de xadrez (…) Se Flávio tivesse votado contra esse projeto, fosse o único voto contra, por exemplo, nós passaríamos a campanha inteira discutindo e tentando explicar pra as pessoas que o voto do Flávio não foi a favor da violência das mulheres”.

Veja vídeo:

Criminalização da misoginia: entenda o projeto

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (24) o projeto de lei que criminaliza a misoginia no Brasil, classificando o ato como crime de preconceito e discriminação. A proposta, que agora segue para análise da Câmara dos Deputados, estabelece pena de 2 a 5 anos de prisão, além de multa, para quem praticar atos de ódio ou aversão contra mulheres.

A medida foi aprovada por unanimidade, com 67 votos favoráveis, e altera a Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), incluindo a misoginia entre os crimes já previstos, como os de discriminação por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. O texto define misoginia como qualquer conduta baseada na crença da superioridade masculina ou que manifeste desprezo extremo contra mulheres.

Atualmente, casos de misoginia são tratados como injúria ou difamação, com penas mais leves. Com a nova proposta, o crime passa a ter enquadramento mais rigoroso, refletindo a gravidade da violência de gênero no país.

A relatora do projeto, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), destacou que a mudança é necessária diante do aumento alarmante de casos de feminicídio e violência contra a mulher no Brasil. Segundo ela, somente em 2025 foram registradas quase 7 mil tentativas de feminicídio.

“O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, crescente e ceifa vidas todos os dias”, afirmou a senadora.

Durante a discussão, parlamentares também alertaram para o crescimento de grupos que incentivam o ódio às mulheres, especialmente na internet — como comunidades associadas ao movimento “red pill”.

Com a aprovação no Senado, o projeto segue agora para a Câmara dos Deputados, onde poderá sofrer alterações antes de uma eventual sanção presidencial.

O que é misoginia

Misoginia é o termo utilizado para descrever o ódio, aversão ou desprezo contra mulheres, manifestado por meio de atitudes, discursos ou práticas que reforçam a ideia de inferioridade feminina. No contexto jurídico e social, ela vai além de opiniões individuais, podendo se traduzir em discriminação, violência simbólica ou até agressões físicas motivadas por gênero.

A criminalização da misoginia busca enquadrar essas condutas como formas de preconceito, reconhecendo que o desrespeito sistemático às mulheres não é apenas um problema cultural, mas também uma violação de direitos que deve ser combatida pelo Estado.

Fonte: Revista Forum / – Foto: Carlos Moura/Agência Senado




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