Haddad fala de sucessão na Fazenda, legado e cenário de 2026

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Em painel no BTG Pactual, ministro critica atual patamar dos juros, defende nova arquitetura para gastos sociais e afirma que trabalho da equipe econômica não pode ser alvo de “negacionismo”

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad participou nesta terça-feira (10) da CEO Conference, promovido pelo banco BTG Pactual. Em um painel marcado por um tom de balanço de sua gestão e projeções para o futuro, o ele defendeu uma revisão profunda nas despesas assistenciais do país, voltou a criticar o patamar dos juros reais e sinalizou que sua jornada à frente da pasta econômica está chegando ao fim.

Nova “arquitetura” social

Haddad revelou que o governo estuda uma nova arquitetura para as despesas públicas, com foco especial na assistência social. Segundo o ministro, a discussão sobre um programa de renda básica é o caminho para modernizar esses gastos. Ele ressaltou que estudos técnicos estão avançados, embora não tenham sido submetidos a um veredito por parte do presidente Lula.

Juros e a relação com o BC

O titular da Fazenda não poupou críticas ao atual nível dos juros reais no Brasil, que hoje orbitam a casa dos 9%. Para Haddad, esse patamar torna o controle da dívida pública uma tarefa quase impossível, independentemente do esforço fiscal.

“Não vejo razão para o atual nível de juros reais. Você não consegue contrapor isso com nenhum nível de superávit primário”, afirmou.

Apesar das críticas, ele adotou um tom de cautela institucional, afirmando ser vital “cuidar” do Banco Central e defendendo a indicação (ou “sugestão”) de Guilherme Mello para a diretoria da autarquia, minimizando resistências do mercado.

Balanço e legado

Ao avaliar seus três anos de gestão, ele destacou a Reforma Tributária como o avanço mais impressionante, citando que o país entra em 2026 na fase de testes do novo sistema. Ele também rebateu as críticas sobre a qualidade do debate fiscal no Brasil, classificando-o como “monopolizado por desinformação” e de “baixa qualidade técnica”.

O futuro político e saideira

O momento de maior descontração e suspense ocorreu quando o ministro foi questionado sobre sua saída da Fazenda e uma possível candidatura ao governo de São Paulo ou ao Senado.

  • Sucessão na Fazenda: Haddad praticamente confirmou que nomes como Dario Durigan e Rogério Ceron gozam de total confiança de Lula para a continuidade do trabalho.
  • Eleições 2026: Questionado sobre enfrentar Flávio Bolsonaro em São Paulo, Haddad evitou confirmar a candidatura, mas analisou o fenômeno do bolsonarismo como uma “transferência automática de votos”.

Em sua mensagem final à Faria Lima, ele pediu menos “negacionismo” econômico e mais reconhecimento pelos avanços das agências de risco. “O trabalho desses três anos não pode ser desprezado por quem quer que ganha a eleição”, concluiu, deixando o palco sob um clima de despedida oficial.

Fonte: Money Report / Foto: Reprodução

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