Helicóptero do Caso Master usado por ACM Neto reacende conexões do União Brasil com as Operações Compliance Zero e Overclean

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O vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, e o prefeito de Salvador, Bruno Reis, utilizaram uma aeronave emprestada pelo ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima, para viagem oficial a Conceição do Coité, no interior da Bahia, dois dias antes de Lima ser preso na Operação Compliance Zero, que investigou suposta fraude bilionária em títulos de crédito sem lastro. O caso reacendeu questionamentos sobre conexões políticas e empresariais envolvendo setores do União Brasil.

A aeronave utilizada pelos políticos realizou o deslocamento para a participação no evento Natal Luz, promovido no município a cerca de 200 quilômetros de Salvador. A informação tornou-se pública após a difusão de imagens nas redes sociais do próprio ACM Neto, que registrou a viagem ao lado de aliados como o ex-ministro João Roma e o ex-deputado estadual Cacá Leão.

A revelação sobre a propriedade da aeronave ganhou relevância diante da prisão de Augusto Lima, acusado de participar de um esquema bilionário de criação de ativos sem respaldo financeiro. A coincidência temporal entre a viagem e a operação federal elevou o impacto político do episódio, especialmente pelo envolvimento de lideranças regionais do União Brasil.

Procurados, tanto ACM Neto quanto Bruno Reis não responderam aos pedidos de esclarecimento sobre o empréstimo da aeronave. Não houve informação sobre eventual pagamento pelo serviço ou registro do deslocamento em agendas oficiais.

Operação Compliance Zero e a derrocada do Banco Master

Deflagrada em 18/11/2025, a Operação Compliance Zero apurou um esquema de emissão e comercialização de títulos de crédito falsificados, operações financeiras sem lastro e atos de gestão temerária no Banco Master. As suspeitas envolvem fraudes que podem ultrapassar R$ 12 bilhões.

A Polícia Federal prendeu o controlador do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-CEO Augusto Lima, além de apreender aeronaves, veículos de luxo, caixas de dinheiro e bloquear bens avaliados em bilhões de reais. A investigação aponta a criação artificial de carteiras de crédito, vendidas a fundos, entidades públicas e instituições financeiras como se fossem operações legítimas.

Como consequência direta, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando suas atividades e acionando o Fundo Garantidor de Créditos para mitigar prejuízos a investidores e correntistas.

Conexões do União Brasil com estruturas atingidas pelo Caso Master

A investigação identificou que o Banco Master possuía relações com estruturas administrativas associadas a quadros do União Brasil, entre elas fundos de previdência e empresas públicas estaduais. O Rioprevidência, administrado por quadros ligados ao partido, realizou investimentos que superam centenas de milhões de reais em ativos relacionados ao Master.

Outro ponto investigado pela PF é a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, operação que teria sofrido influência política. A suspeita é que a compra buscava aliviar a situação financeira do Master em meio à deterioração dos seus ativos. Interlocutores do União Brasil e aliados de outras legendas do Centrão aparecem nas linhas de apuração.

O conjunto desses elementos ampliou o impacto institucional da Compliance Zero e expôs o alinhamento político entre dirigentes do Master e figuras de destaque no cenário nacional.

Operação Overclean: emendas, contratos e a rede de influência

Operação Overclean, deflagrada inicialmente em 10/12/2024, investigou fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro em obras vinculadas ao DNOCS e a emendas parlamentares. O prejuízo estimado chega a R$ 1,4 bilhão.

O empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, ocupa posição central nas apurações, acusado de articular contratos superfaturados e distribuir vantagens a agentes públicos. Moura mantém relações políticas próximas a dirigentes do União Brasil, elemento que levou a investigação a alcançar prefeituras administradas pelo partido e contratos de limpeza urbana que ganharam atenção da PF.

Em 2025, a operação teve novos desdobramentos, com mandados contra o deputado federal Dal Barreto (União-BA) e afastamento do ex-secretário de Educação de Salvador, Bruno Barral, à época ocupando cargo em Belo Horizonte. Ambos aparecem em movimentações consideradas suspeitas pelos investigadores.

ACM Neto nas investigações: menções políticas e inexistência de citação formal

Na Operação OvercleanACM Neto não é investigado formalmente, mas seu nome é associado indiretamente em relatos da PF. Interceptações e documentos mencionam o codinome “zero um antigo”, que investigadores interpretaram como referência à liderança política exercida por Neto em períodos coincidentes com contratos sob análise.

Essa menção, embora não constitua imputação jurídica, amplia o desgaste político devido à presença de aliados próximos no centro do esquema, como José Marcos de Moura e Bruno Barral. Até o momento, não há ato judicial que vincule Neto como alvo do inquérito.

Na Operação Compliance Zero, o nome de ACM Neto não aparece em decisões judiciais, autos de prisão ou relatórios da PF. A conexão existente é de caráter político e circunstancial, originada pelo uso do helicóptero de Augusto Lima e pelas ligações do União Brasil com estruturas que investiram volumosos recursos no Banco Master.

Os impactos políticos e institucionais

As operações Compliance Zero e Overclean revelam um padrão mais amplo: a vulnerabilidade de estruturas públicas diante de interesses privados que atuam nos bastidores de partidos políticos. Nos dois casos, órgãos federais identificaram uma sobreposição de influências envolvendo bancos, fundos de previdência, empresas de serviços e gestores municipais.

Embora ACM Neto não seja investigado formalmente, a repetição de conexões indiretas contribui para um cenário de desgaste político — especialmente relevante em período pré-eleitoral. O uso de aeronave de um executivo posteriormente preso e a presença de aliados em investigações sobre desvio de recursos criam um ambiente que desafia estratégias de controle de danos.

As duas operações também reacendem a discussão sobre governança de emendas, transparência na relação entre setor financeiro e agentes públicos, e a necessidade de fortalecer mecanismos independentes de fiscalização.

Síntese das operações

Operação Compliance Zero – 18/11/2025

A operação investigou um esquema de títulos de crédito falsos e atos de gestão fraudulenta envolvendo o Banco Master. A PF prendeu Daniel Vorcaro e Augusto Lima, apreendeu jatos, helicópteros, dinheiro e bloqueou bens bilionários. Como consequência, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. A investigação segue ampliando o alcance sobre fundos públicos e possíveis pressões políticas para evitar a quebradeira da instituição.

Operação Overclean – 10/12/2024

A Overclean apurou desvios em contratos do DNOCS, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em obras financiadas com recursos de emendas parlamentares. O prejuízo estimado é de R$ 1,4 bilhão. O empresário José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”, foi apontado como articulador. A operação alcançou aliados do União Brasil, como Dal Barreto e Bruno Barral, e citações indiretas a ACM Neto aparecem em relatórios, sem torná-lo investigado formal.

*Com informações de Valentina MoreiraManoela Alcântara, do site Metrópoles.

ACM Neto e Bruno Reis utilizaram um helicóptero pertencente ao ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima, durante agenda oficial na Bahia, dias antes da prisão do executivo na Operação Compliance Zero. O episódio reacendeu questionamentos sobre conexões do União Brasil com estruturas financeiras e administrativas envolvidas em investigações federais. Paralelamente, a Operação Overclean avança sobre desvio de recursos em obras do DNOCS, atingindo aliados de Neto e ampliando a pressão política sobre o partido.
Aeronave do Caso Master usada por ACM Neto expõe supostas conexões do União Brasil com as operações Compliance Zero e Overclean.

Fonte: Jornal Grande Bahia

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