Índia: um mercado com 1,4 bilhão de consumidores em potencial para feijões e pulses do Brasil

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Importações indianas de pulses cresceram 220% nos últimos quatro anos, chegando em 8 milhões de toneladas em 25/26

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O país mais populoso do mundo é o grande foco do mercado de feijão e pulses do Brasil. Com uma população de 1,4 bilhão de pessoas, sete vezes mais que a brasileira em um território duas vezes menor, as possibilidades para exportação desses grãos são enormes. 

O país asiático é hoje o maior produtor mundial de pulses, com produção entre 25 e 26 milhões de toneladas, e também o maior importador deste tipo de produto, com demanda que cresceu de 2,5 milhões de toneladas em 2022/23 para 8 milhões em 25/26. 

“O Brasil é essencial para garantir a segurança alimentar da Índia e para que o país siga crescendo entre 6 e 7% por ano, com renda per capita dobrando a cada 10 anos. Aumento de renda significa elevação no consumo de alimentos, maior consumo de calorias e de alimentos nutritivos”, avalia Leonardo Ananda, CEO da Câmara de Comércio Índia Brasil. 

Ananda, que já foi cônsul da Índia no Brasil, destaca que as oportunidades de negócios são muitas, mas precisam acontecer com calma e planejamento. “Fazer negócios com a Índia é fazer negócios com uma civilização milenar, que consome esse tipo de produto a mais de cinco mil anos e conhece a fundo as características e a qualidade dos produtos”. 

Nos últimos anos, a relação comercial entre Brasil e Índia tem aumentado significativamente, com novos acordos sendo firmados, assim como investimentos nos dois países. 

Exemplo disso é a maçã, que tinha o mercado indiano totalmente fechado para as exportações brasileiras até 2017. “O Brasil não exportava maçã para a Índia, que comprava muito da Polônia. Nós identificamos esse potencial e trabalhamos para derrubar a barreira fitossanitária que existia, o que aconteceu no final de 2017. O potencial era tão grande que, já no início de 2018, a Índia se tornou a maior importadora das maçãs do Brasil no mundo”, conta Ananda. 

Entre as possibilidades que o mercado de feijão e pulses tem, se destacam o feijão mungo, que tem exportação projetada entre 320 e 500 mil toneladas para 2026, o feijão caupi, que deve registrar comércio de 40 mil toneladas neste ano, o gergelim, que já tem a Índia respondendo por mais de 24% das exportações brasileiras, e o feijão guandu, que está em fase de negociações para a abertura de mercado. 

“A população indiana é majoritariamente vegetariana e está em busca de nutrientes e dessas fontes vegetais de proteínas. Vários pratos muito típicos do país, que são a base da alimentação local, são feitos a partir desses grãos, então o potencial é muito grande”, afirma o representante da Câmara de Comércio. 

Hoje, a maior parte das importações indianas vem de países como Myanmar, Paquistão, Uzbequistão e Sudão, origens que têm facilidades logísticas ante ao Brasil. Por outro lado, a qualidade, constância de abastecimento e garantia de que os contratos serão cumpridos são pontos que pesam a favor dos brasileiros nessa disputa. 

Por: Guilherme Dorigatti

Fonte: Notícias Agrícolas

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